de LÍDIA FRADE - TRÊS LIVROS PUBLICADOS, PARTICIPAÇÃO EM CINCO ANTOLOGIAS DE POESIA E EM VÁRIAS OUTRAS EDIÇÕES * NASCEU ESTE ESPAÇO EM 11-02-2008 *
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
5º CAPITULO A HORTA DA FAZENDA
5º CAPITULO
A HORTA
A horta começava por ali, uma peça de horta, como lhe chamava a família, que era apenas cerca de três metros de terreno em largura, e de comprimento indeterminado, sendo assim em socalcos dividida até chegar ao ponto mais baixo.
Entre cada socalco e no comprimento da peça, havia sempre latadas de videiras, harmoniosamente seguras umas nas outras com paus de oliveira espetados na vertical, com canas na horizontal, formando as latadas, e tudo isto e mais a poda e enxertia das videiras era feito pela Julieta, que tudo sabia fazer dentro daquela fazenda.
Dando início à horta havia uma nascente de água, principalmente porque, sem água, não poderia haver horta, e ali estava uma grande nascente que saía de uma mina tapada, noite e dia a jorrar uma corrente de água sem fim, na saída dessa nascente um tanque enorme, em profundidade e largura, e dali se regava metade da horta que era muito grande.
A água saía do tanque naturalmente apenas pela força da gravidade, depois de abrir uma das saídas do tanque na altura própria do terreno que se pretendia regar, havendo ainda outra maneira para fazer a rega, a alguma peça de horta que ficava mais alta.
Essa outra forma era a de retirar do tanque a braços, com um cabaço, em ritmo constante, e colocar no inicio da regadeira - numa espécie de calha - fazendo correr assim um caudal certo e, com a ajuda de outra pessoa, fazer a distribuição da água por cada canteiro, e assim se regavam essas peças.
Muitas eram as árvores de toda a variedade de fruta que estavam distribuídas por toda a horta, ameixas de muitas espécies, pessegueiros, damasqueiros, pereiras, figueiras, nespereiras, marmeleiros e, bem perto do tanque, havia uma nespereira muito grande, era das árvores maiores da fazenda, competia com as oliveiras ou figueiras maiores.
Quando estava toda florida em cachos era lindíssima. Certa vez casou uma vizinha e Dalila incentivada pela mãe foi apanhar flores da nespereira para atirar à noiva, eram tão branquinhas, bonitas para uma noiva. Esta é apenas uma lembrança curiosa de criança.
Mas muito mais interessante era subir todas estas árvores quando os frutos estavam maduros, e comê-los ali mesmo no cimo de cada tranca, de cada galho ou de cada ramo, que são apenas vários termos, para descrever o mesmo prazer, de muitas recordações:
Peças de feijão verde, trepavam pelas canas, cortadas das caneiras que abundavam na fazenda no tempo certo para o seu corte, canas limpas e atadas em molhos, e as mais grossas eram até cortadas em duas alturas e serviam para colocar nas latadas das uvas ou nas vinhas, em ajuda de suporte para o equilíbrio da cepa e do peso dos frutos.
Por sua vez as mais finas eram para aplicar então nos canteiros de feijão, aí colocadas habilmente pela Julieta, uma verdadeira agricultora conhecedora dos seus recursos e incansável no trabalho.
Nesses canteiros de feijão verde trepadiço, ele estava pois disposto e agarrado em rocas, como Julieta lhe chamava, que nada mais eram do que seis canas espetadas na terra frente a frente e à distancia dos pés de feijão, e atadas com juncas, todas unidas acima da altura média de uma pessoa.
Chegava o Outono e era a altura de cavar as peças para plantar as couves, iam-se arrancando as culturas de Primavera e Verão já em fim de vida, e logo Julieta preparava o mesmo terreno para a plantação de couve portuguesa ou de sete semanas, coração de boi, lombardas, e até as couves altas que eram plantadas nos combros à volta das peças.
Essas couves normalmente criavam-se com outra finalidade que não a de corte: deixava-se crescer à vontade, e quando não havia outras serviam para retirar folhas para a criação, e ainda para se deixarem grelar e depois cortar os grelos para comer ou vender antes de florirem.
Ainda havia outra coisa que a Julieta fazia: algumas couves que se deixavam ir florescer, após as flores davam lugar às sementes que, cresciam, amadureciam e, quando começavam a secar, Julieta enfiava uma saca em torno do grande ramo de sementes, evitando assim que as vagens ao abrir, de tanto estarem secas do sol, começassem a tombar na terra.
Eram sementes muito fininhas, bolinhas mínimas, que era preciso guardar para fazer as sementeiras do próximo ano, e assim era feito com todas as qualidades, para criar sempre novas sementes. Assim se fazia igualmente com as outras culturas, secavam-se de todos os cereais, feijão, grão-de-bico, chícharos, favas, ervilhas, etc.
Todas estas coisas criadas nesta fazenda, serviam para a alimentação familiar, mas não só, Julieta ia vender à praça de Santarém, tinha dias certos para tal, os dias em que ela sabia serem de melhor venda. Levava as couves limpas dentro de sacas de linhagem, o feijão verde também, as frutas em cestas de verga ou feitas de canas, sacos de batatas, ou até galinhas dentro de cestos, com os pés atados, e cobertas com um pano atado nas pontas, duas a duas.
Até as cestas vinham da fazenda, pois havia algumas árvores de vime no ribeiro. Esse vime era oferecido a um homem que costumava ir cortá-lo e que, depois, por sua vez, oferecia sempre um cesto menor ou maior, conforme a quantidade que teria apanhado. Mas não era o único.
Autora Lídia Frade em a Fazenda onde veio a luz ao Mundo
A HORTA
A horta começava por ali, uma peça de horta, como lhe chamava a família, que era apenas cerca de três metros de terreno em largura, e de comprimento indeterminado, sendo assim em socalcos dividida até chegar ao ponto mais baixo.
Entre cada socalco e no comprimento da peça, havia sempre latadas de videiras, harmoniosamente seguras umas nas outras com paus de oliveira espetados na vertical, com canas na horizontal, formando as latadas, e tudo isto e mais a poda e enxertia das videiras era feito pela Julieta, que tudo sabia fazer dentro daquela fazenda.
Dando início à horta havia uma nascente de água, principalmente porque, sem água, não poderia haver horta, e ali estava uma grande nascente que saía de uma mina tapada, noite e dia a jorrar uma corrente de água sem fim, na saída dessa nascente um tanque enorme, em profundidade e largura, e dali se regava metade da horta que era muito grande.
A água saía do tanque naturalmente apenas pela força da gravidade, depois de abrir uma das saídas do tanque na altura própria do terreno que se pretendia regar, havendo ainda outra maneira para fazer a rega, a alguma peça de horta que ficava mais alta.
Essa outra forma era a de retirar do tanque a braços, com um cabaço, em ritmo constante, e colocar no inicio da regadeira - numa espécie de calha - fazendo correr assim um caudal certo e, com a ajuda de outra pessoa, fazer a distribuição da água por cada canteiro, e assim se regavam essas peças.
Muitas eram as árvores de toda a variedade de fruta que estavam distribuídas por toda a horta, ameixas de muitas espécies, pessegueiros, damasqueiros, pereiras, figueiras, nespereiras, marmeleiros e, bem perto do tanque, havia uma nespereira muito grande, era das árvores maiores da fazenda, competia com as oliveiras ou figueiras maiores.
Quando estava toda florida em cachos era lindíssima. Certa vez casou uma vizinha e Dalila incentivada pela mãe foi apanhar flores da nespereira para atirar à noiva, eram tão branquinhas, bonitas para uma noiva. Esta é apenas uma lembrança curiosa de criança.
Mas muito mais interessante era subir todas estas árvores quando os frutos estavam maduros, e comê-los ali mesmo no cimo de cada tranca, de cada galho ou de cada ramo, que são apenas vários termos, para descrever o mesmo prazer, de muitas recordações:
RECORDAÇÕES
Recordo os pássaros
Chilreando nos salgueiros
E o vibrante cantar das rãs
Na corrente lenta dos regueiros.
E chapinhar descalça, livremente
Na água límpida da rega
Que corria docemente.
Recordo…
A música suave, tocada pelas brisas
Na folha das caneiras
E o brincar às casinhas
Sob a grande copa das nespereiras.
Recordo ainda, quando subia a cada árvore
Ofegante de ansiedade
Escalando o ramo mais alto
Sentir total liberdade.
Apanhar a fruta fresca,
Que mais me fosse de agrado
Comê-la ali, reluzente e sumarenta,
Que prazer, só hoje valorizado.
Já no terreno plano, que era o mais difícil de cultivar e ficava encharcado até muito tarde, havia uma ribeira a meio por onde passavam todas as águas que vinham de alguns quilómetros em redor, mas tudo era mesmo assim cultivado.
Chilreando nos salgueiros
E o vibrante cantar das rãs
Na corrente lenta dos regueiros.
E chapinhar descalça, livremente
Na água límpida da rega
Que corria docemente.
Recordo…
A música suave, tocada pelas brisas
Na folha das caneiras
E o brincar às casinhas
Sob a grande copa das nespereiras.
Recordo ainda, quando subia a cada árvore
Ofegante de ansiedade
Escalando o ramo mais alto
Sentir total liberdade.
Apanhar a fruta fresca,
Que mais me fosse de agrado
Comê-la ali, reluzente e sumarenta,
Que prazer, só hoje valorizado.
Já no terreno plano, que era o mais difícil de cultivar e ficava encharcado até muito tarde, havia uma ribeira a meio por onde passavam todas as águas que vinham de alguns quilómetros em redor, mas tudo era mesmo assim cultivado.
Peças de feijão verde, trepavam pelas canas, cortadas das caneiras que abundavam na fazenda no tempo certo para o seu corte, canas limpas e atadas em molhos, e as mais grossas eram até cortadas em duas alturas e serviam para colocar nas latadas das uvas ou nas vinhas, em ajuda de suporte para o equilíbrio da cepa e do peso dos frutos.
Por sua vez as mais finas eram para aplicar então nos canteiros de feijão, aí colocadas habilmente pela Julieta, uma verdadeira agricultora conhecedora dos seus recursos e incansável no trabalho.
Nesses canteiros de feijão verde trepadiço, ele estava pois disposto e agarrado em rocas, como Julieta lhe chamava, que nada mais eram do que seis canas espetadas na terra frente a frente e à distancia dos pés de feijão, e atadas com juncas, todas unidas acima da altura média de uma pessoa.
Chegava o Outono e era a altura de cavar as peças para plantar as couves, iam-se arrancando as culturas de Primavera e Verão já em fim de vida, e logo Julieta preparava o mesmo terreno para a plantação de couve portuguesa ou de sete semanas, coração de boi, lombardas, e até as couves altas que eram plantadas nos combros à volta das peças.
Essas couves normalmente criavam-se com outra finalidade que não a de corte: deixava-se crescer à vontade, e quando não havia outras serviam para retirar folhas para a criação, e ainda para se deixarem grelar e depois cortar os grelos para comer ou vender antes de florirem.
Ainda havia outra coisa que a Julieta fazia: algumas couves que se deixavam ir florescer, após as flores davam lugar às sementes que, cresciam, amadureciam e, quando começavam a secar, Julieta enfiava uma saca em torno do grande ramo de sementes, evitando assim que as vagens ao abrir, de tanto estarem secas do sol, começassem a tombar na terra.
Eram sementes muito fininhas, bolinhas mínimas, que era preciso guardar para fazer as sementeiras do próximo ano, e assim era feito com todas as qualidades, para criar sempre novas sementes. Assim se fazia igualmente com as outras culturas, secavam-se de todos os cereais, feijão, grão-de-bico, chícharos, favas, ervilhas, etc.
Todas estas coisas criadas nesta fazenda, serviam para a alimentação familiar, mas não só, Julieta ia vender à praça de Santarém, tinha dias certos para tal, os dias em que ela sabia serem de melhor venda. Levava as couves limpas dentro de sacas de linhagem, o feijão verde também, as frutas em cestas de verga ou feitas de canas, sacos de batatas, ou até galinhas dentro de cestos, com os pés atados, e cobertas com um pano atado nas pontas, duas a duas.
Até as cestas vinham da fazenda, pois havia algumas árvores de vime no ribeiro. Esse vime era oferecido a um homem que costumava ir cortá-lo e que, depois, por sua vez, oferecia sempre um cesto menor ou maior, conforme a quantidade que teria apanhado. Mas não era o único.
Autora Lídia Frade em a Fazenda onde veio a luz ao Mundo
CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO
sábado, 8 de maio de 2010
4º CAPITULO A CRIAÇÃO NA FAZENDA
4º CAPITULO
A CRIAÇÃO
Ao lado virado já para a horta, e descendo mais um pouco, ficavam os palheiros do gado, um das ovelhas, e havia várias, e entre elas um carneiro de cobrição.
Era uma garantia familiar, um mealheiro, como a avó lhe chamava: quando havia uma aflição de dinheiro, vendia-se uma ovelha, um carneiro, ou simplesmente as crias, tal como os porcos que se criavam em casa. Se o dinheiro fazia mais falta vendia-se o porco e não havia matança.
Deodato, marido de Julieta, pai de Dalila, gostava muito de comprar porcos ruivos para criar, era uma raça do Alentejo e que deve ser a mesma raça, praticamente, do actual porco preto Alentejano.
Para criar a parir, a escolha já era de recos brancos ou alguns malhadinhos, dependia dos cruzamentos dos pais. Quando chegava a hora das porcas parirem Julieta ia dormir para dentro da pocilga, devidamente limpa e arranjada, esperando a hora do nascimento, para que a porca não matasse alguma cria ao deitar-se.
Uma história se passou num dia, relacionada com os porcos: Julieta criou uma ninhada de porcos desde o nascimento, até quando já estavam perto dos dois ou três meses, e se vendiam. Deodato, que por sua vez é que os vendia, resolveu vender ou doar um desses animais a uma sua amiga mais íntima, que vivia lá na terra.
Mas certo dia alguém foi avisar Julieta que a dita senhora estaria a fazer a sua mudança de morada, para a terra vizinha da Povoa da Isenta, e com ela levaria de certo o tal porquinho que Deodato supostamente lhe teria vendido mas que ela nunca tinha pago.
Coitado do porquito, já estava crescidinho!... mas tinha de fazer a caminhada a pé para a nova casa, não havia transporte para o levar, tinha de ir acompanhado pela dita dona a andar quatro quilómetros. Julieta fora informada de que ela ia com o porco a pé, meteu-se estrada fora e foi sair-lhe ao caminho.
Sem outra intenção que não fosse receber o seu dinheiro referente ao porco, que nunca havia sido pago, ou então o porco só sairia dali com a Julieta - dinheiro não havia, apenas a razão e o direito que as duas reclamavam.
Sendo assim, passaram a agir, no meio de insultos, agressões, puxões de cabelos, até se descabelarem todas, mas o porco ficou, voltou para a posse de Julieta, e quando Deodato teve conhecimento do caso só se ria, pelo caricato das cenas contadas e com todo o seu ar de gozo.
Voltando à casa, aos anexos, atentemos agora nos palheiros que eram do macho, e dos burros… Deodato gostava muito de burros, e comprava alguns grandes, que Julieta detestava, dizia ela que eram espanhóis, eram grandes, com força, mas não tinham genica nenhuma, eram moles no trabalho, nada parecidos com os de raça portuguesa, que eram pequenos mas com despacho.
Do lado de trás da casa eram as capoeiras. Todos os palheiros e capoeiras eram construídos em adobes, que eram feitos de terra cavada, amassada com água e alguma palha para poder fazer melhor a ligação e não se desmanchar tão facilmente, pois não eram cozidos.
Havia um espaço bem chegado aos palheiros onde Julieta preparava os seus adobes, depois da terra cavada acarretava baldes de água do tanque, despejava lá para dentro, até amolecer a terra, e depois saltavam lá para dentro, amassavam com os pés, como se pisassem uvas.
Na medida em que a terra ficava bem envolvida com a água Julieta ia-lhes juntando um pouco de fenos, depois de bem envolvida eram cheias uma espécie de formas, também elas preparadas por Julieta e feitas de pedaços de madeira.
Cheias as formas eram deixadas ao sol a secar, só depois, desenformados e bem secos os conteúdos, com eles Julieta fazias as capoeiras e remendava os palheiros. Este era um trabalho que Dalila gostava de ajudar, principalmente o de pisar a lama.
As galinhas, galos, patos, e perus, todas estas aves, assim como todo o outro gado, eram apenas criados com tudo o que existia na fazenda.
Desde fruta a hortaliças, cereais, palhas, tudo mesmo, só uma coisa a Julieta comprava na loja, era as sêmeas ou farelos que poderiam juntar na palhada. Esta obviamente era feita de palha e sêmea, para o gado de quatro patas, quando era altura de escassear todo o resto. Ou ainda quando uma fêmea paria e tinha de amamentar, por vezes teria assim um tratamento especial. Sêmeas ainda para as aves comerem, amassadas com couves migadas.
Havia uma qualidade de sêmeas feitas de farinha de alfarroba, Dalila adorava que a mãe comprasse daquelas sêmeas, ela ia escolher os pedacinhos de alfarroba mais grossos para comer, era doce e gostosa e, ela gostava muito do seu sabor.
Aos pintainhos quando nasciam e ainda não sabiam comer, Julieta comprava-lhes arroz mais barato para eles comerem, depois iam-se habituando pouco a pouco à comida dos grandes, depenicando aqui e ali.
Os patinhos acabados de nascer comiam sêmeas amassadas, depois iam comendo desde alguma fruta muito madura, até caracóis esmagados, que eles adoravam, isto enquanto eram pequenos.
Já para os perus era comida diferente, quando nasciam coziam-se verduras e misturava-se farinha de milho, fazia-se uma bola com essa mistura, e eles vinham comer à mão depenicando essa bola, até encher o papo, e era um trabalho que Dalila adorava fazer, sentir os biquinhos a depenicar e comer na sua mão.
Depois todas essas aves eram também transformadas em dinheiro, tal como os ovos, quando chegavam as necessidades.
Na frente de toda a casa havia um jardim que Julieta, ajudada pelas filhas, e até a avó Joaquina, faziam e cuidavam muito bem.
Era aí que muitos malmequeres brancos, grandes, lindos, caíam como que em cascata pelos valados e preenchiam todas aquelas inclinações de terrenos, era lindíssimo esse jardim. Rosas, cravos, lírios e outras flores, todos os dias eram regadas, com regadores ou baldes, pois Julieta encarregava as filhas de regar ao fim do dia, quando já tinham idade para aguentarem com as vasilhas da água.
Logo ao descer a caminho da horta havia uma árvore que Dalila adorava, mas nem era uma árvore de fruta, nada disso, dava fruto mas não para comer, só a avó Joaquina sabia para que eram bons, e ela fazia chá das flores secas, e até das bagas.
Era um grande sabugueiro, uma árvore bonita, redonda, sempre podada, desde as suas flores lindíssimas, branquinhas, e quando Dalila lhes pegava nos pés e as virava, pareciam umas sombrinhas de senhora feitas de renda.
Depois as flores iam caindo, dando lugar ao aparecimento dos frutos, nasciam e logo iam ficando vermelhos e, pouco a pouco, cada vez mais escuros, até parecerem pretos, totalmente maduros, isto era um ciclo inesquecível para Dalila. Tal como está descrito, num poema que lhe foi dedicado.
A CRIAÇÃO
Ao lado virado já para a horta, e descendo mais um pouco, ficavam os palheiros do gado, um das ovelhas, e havia várias, e entre elas um carneiro de cobrição.
Era uma garantia familiar, um mealheiro, como a avó lhe chamava: quando havia uma aflição de dinheiro, vendia-se uma ovelha, um carneiro, ou simplesmente as crias, tal como os porcos que se criavam em casa. Se o dinheiro fazia mais falta vendia-se o porco e não havia matança.
Deodato, marido de Julieta, pai de Dalila, gostava muito de comprar porcos ruivos para criar, era uma raça do Alentejo e que deve ser a mesma raça, praticamente, do actual porco preto Alentejano.
Para criar a parir, a escolha já era de recos brancos ou alguns malhadinhos, dependia dos cruzamentos dos pais. Quando chegava a hora das porcas parirem Julieta ia dormir para dentro da pocilga, devidamente limpa e arranjada, esperando a hora do nascimento, para que a porca não matasse alguma cria ao deitar-se.
Uma história se passou num dia, relacionada com os porcos: Julieta criou uma ninhada de porcos desde o nascimento, até quando já estavam perto dos dois ou três meses, e se vendiam. Deodato, que por sua vez é que os vendia, resolveu vender ou doar um desses animais a uma sua amiga mais íntima, que vivia lá na terra.
Mas certo dia alguém foi avisar Julieta que a dita senhora estaria a fazer a sua mudança de morada, para a terra vizinha da Povoa da Isenta, e com ela levaria de certo o tal porquinho que Deodato supostamente lhe teria vendido mas que ela nunca tinha pago.
Coitado do porquito, já estava crescidinho!... mas tinha de fazer a caminhada a pé para a nova casa, não havia transporte para o levar, tinha de ir acompanhado pela dita dona a andar quatro quilómetros. Julieta fora informada de que ela ia com o porco a pé, meteu-se estrada fora e foi sair-lhe ao caminho.
Sem outra intenção que não fosse receber o seu dinheiro referente ao porco, que nunca havia sido pago, ou então o porco só sairia dali com a Julieta - dinheiro não havia, apenas a razão e o direito que as duas reclamavam.
Sendo assim, passaram a agir, no meio de insultos, agressões, puxões de cabelos, até se descabelarem todas, mas o porco ficou, voltou para a posse de Julieta, e quando Deodato teve conhecimento do caso só se ria, pelo caricato das cenas contadas e com todo o seu ar de gozo.
Voltando à casa, aos anexos, atentemos agora nos palheiros que eram do macho, e dos burros… Deodato gostava muito de burros, e comprava alguns grandes, que Julieta detestava, dizia ela que eram espanhóis, eram grandes, com força, mas não tinham genica nenhuma, eram moles no trabalho, nada parecidos com os de raça portuguesa, que eram pequenos mas com despacho.
Do lado de trás da casa eram as capoeiras. Todos os palheiros e capoeiras eram construídos em adobes, que eram feitos de terra cavada, amassada com água e alguma palha para poder fazer melhor a ligação e não se desmanchar tão facilmente, pois não eram cozidos.
Havia um espaço bem chegado aos palheiros onde Julieta preparava os seus adobes, depois da terra cavada acarretava baldes de água do tanque, despejava lá para dentro, até amolecer a terra, e depois saltavam lá para dentro, amassavam com os pés, como se pisassem uvas.
Na medida em que a terra ficava bem envolvida com a água Julieta ia-lhes juntando um pouco de fenos, depois de bem envolvida eram cheias uma espécie de formas, também elas preparadas por Julieta e feitas de pedaços de madeira.
Cheias as formas eram deixadas ao sol a secar, só depois, desenformados e bem secos os conteúdos, com eles Julieta fazias as capoeiras e remendava os palheiros. Este era um trabalho que Dalila gostava de ajudar, principalmente o de pisar a lama.
As galinhas, galos, patos, e perus, todas estas aves, assim como todo o outro gado, eram apenas criados com tudo o que existia na fazenda.
Desde fruta a hortaliças, cereais, palhas, tudo mesmo, só uma coisa a Julieta comprava na loja, era as sêmeas ou farelos que poderiam juntar na palhada. Esta obviamente era feita de palha e sêmea, para o gado de quatro patas, quando era altura de escassear todo o resto. Ou ainda quando uma fêmea paria e tinha de amamentar, por vezes teria assim um tratamento especial. Sêmeas ainda para as aves comerem, amassadas com couves migadas.
Havia uma qualidade de sêmeas feitas de farinha de alfarroba, Dalila adorava que a mãe comprasse daquelas sêmeas, ela ia escolher os pedacinhos de alfarroba mais grossos para comer, era doce e gostosa e, ela gostava muito do seu sabor.
Aos pintainhos quando nasciam e ainda não sabiam comer, Julieta comprava-lhes arroz mais barato para eles comerem, depois iam-se habituando pouco a pouco à comida dos grandes, depenicando aqui e ali.
Os patinhos acabados de nascer comiam sêmeas amassadas, depois iam comendo desde alguma fruta muito madura, até caracóis esmagados, que eles adoravam, isto enquanto eram pequenos.
Já para os perus era comida diferente, quando nasciam coziam-se verduras e misturava-se farinha de milho, fazia-se uma bola com essa mistura, e eles vinham comer à mão depenicando essa bola, até encher o papo, e era um trabalho que Dalila adorava fazer, sentir os biquinhos a depenicar e comer na sua mão.
Depois todas essas aves eram também transformadas em dinheiro, tal como os ovos, quando chegavam as necessidades.
Na frente de toda a casa havia um jardim que Julieta, ajudada pelas filhas, e até a avó Joaquina, faziam e cuidavam muito bem.
Era aí que muitos malmequeres brancos, grandes, lindos, caíam como que em cascata pelos valados e preenchiam todas aquelas inclinações de terrenos, era lindíssimo esse jardim. Rosas, cravos, lírios e outras flores, todos os dias eram regadas, com regadores ou baldes, pois Julieta encarregava as filhas de regar ao fim do dia, quando já tinham idade para aguentarem com as vasilhas da água.
Logo ao descer a caminho da horta havia uma árvore que Dalila adorava, mas nem era uma árvore de fruta, nada disso, dava fruto mas não para comer, só a avó Joaquina sabia para que eram bons, e ela fazia chá das flores secas, e até das bagas.
Era um grande sabugueiro, uma árvore bonita, redonda, sempre podada, desde as suas flores lindíssimas, branquinhas, e quando Dalila lhes pegava nos pés e as virava, pareciam umas sombrinhas de senhora feitas de renda.
Depois as flores iam caindo, dando lugar ao aparecimento dos frutos, nasciam e logo iam ficando vermelhos e, pouco a pouco, cada vez mais escuros, até parecerem pretos, totalmente maduros, isto era um ciclo inesquecível para Dalila. Tal como está descrito, num poema que lhe foi dedicado.
Esse poema está colocado na entrada anterior, sobre o sabugueiro.
LÍDIA FRADE
em a Fazenda onde veio a luz ao Mundo
CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO
O MEU SABUGUEIRO
Meu companheiro
De flores
mimosas
Chapéu de
aguaceiro
Mais belo que
rosas.
De branco
vestido
A tua ramada
Belo véu de
noiva
De cauda
bordada.
Quando já
maduros
Que teus frutos
criaste
Contas de
rosário
Que a Deus
enviaste.
De negro vestido
Em luto tão puro
O meu sabugueiro
De fruto maduro.
Amigo de outrora
Quando era
criança
Perpetuo agora
A tua lembrança.
LÍDIA FRADE
CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO
quinta-feira, 6 de maio de 2010
AS RAINHAS EM TEMPO DE ROSAS
AS ROSAS
Não há, decerto um jardim
Que rosas não tenha, plantadas
Podem ser de muitas cores,
Com perfume, bem cuidadas.
Cortando aqui, ou ali
Enfeita-se toda a casa,
O jardim fica repleto
A casa toda enfeitada.
Quem não se sente feliz?
Ao receber uma rosa!
E se quem oferece, puder,
Um grande ramo oferecer!
As branquinhas da pureza,
As vermelhas de paixão!
Mas que importa aqui a cor?
O que interessa é a intenção.
Se a oferta for de amor!
Basta apenas um botão!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O MEU SABUGUEIRO

O MEU SABUGUEIRO
Meu companheiro
De flores mimosas
Chapéu de aguaceiro
Mais belo que rosas
De branco vestida,
A tua ramada
Belo véu de noiva
De cauda bordada
Mas se já maduros
Teus frutos criaste
Contas de rosário
Que a Deus enviaste
De negro vestido
Em luto tão puro
O meu sabugueiro
De fruto maduro
Amigo de outrora
Quando era criança
Perpetuo agora.
A sua lembrança
UMA DAS PLANTAS DA MINHA AVÓ
Era pois das plantas que ela tinha sempre o cuidado de preparar para os chás de família, tinha um grande sabugueiro mesmo junto da casa, colhia primeiro as suas flores cuidadosamente secas para guardar, dentro dos seus saquinhos de retalhos, depois mais tarde, quando das bagas já maduras eram também apanhadas e postas a secar após do que se guardava.
O chá deve ser feito com, um litro de água, com duas a cinco colheres de flores secas, é depurativo para a limpeza de todo o organismo.
Esta receita que se segue foi retirada do endereço mencionado.
http://bagasabugueiro.blogspot.com/2006/09/algumas-receitas.html
Bebida de Flores de Sabugueiro:
2 L de água500 g de açúcar.Sumo e raspa de um limãoFerva a água com o açúcar, deixe esfriar, coloque o sumo e as raspas de limão e as flores de sabugueiro.Deixe descansar por 24 h, coberto com um pano de linho ou algodão.Coloque em um vidro de 3 l de boca larga, ou um recipiente que possa ser hermeticamente fechado.Acrescente 1 l de vinho branco ou cidra e deixe descansar por duas semanas.Essa bebida mágica pode ser servida como suco, e inclusive misturada com frutas e água.

sexta-feira, 30 de abril de 2010
3º CAPITULO A CASA DA FAMILIA NA FAZENDA
3º CAPITULO
A CASA DA FAMÍLIA
A casa da Fazenda ficava num sítio mais plano a meio da encosta, e a circundar a envolvência da casa já havia flores plantadas antes, o que criava uma envolvência bonita - eram roseiras, lírios, estrelas do meio-dia, e os malmequeres, que eram os grandes reis do jardim.
Plantados em plano mais alto, os malmequeres caíam em cachoeira de flores brancas pelo valado e, sendo em grande abundância, davam um enquadramento lindo para uma casa pobre, baixa, e sem atractivos, apenas com estes alegretes de flores por moldura.
Percorrendo por dentro a casa, via-se que era uma construção única embora dividida em duas. Na parte da avó Joaquina avultava uma cozinha muito grande, a toda a largura da casa, tinha uma chaminé enorme ao fundo, com uma fornalha na frente da boca do forno e um espaço para um banquito de cada lado, onde as netas se sentavam para se aquecerem no Inverno.
Ao lado da chaminé havia um poial para pôr a quarta da água, que servia para os gastos da cozinha.
O resto do mobiliário era uma louceira e uma grade, onde se compunham as louças para serviço, que eram poucas, e havia também dependurado um guarda-comidas. Era assim lhe chamavam, a um armário pequeno e quadrado, com uma rede mosquiteira à volta, e com uma porta fechada, para não entrarem gatos ou moscas – que abundavam – e como não havia frigoríficos era onde se guardavam os condutos.
Na cozinha fazia ainda parte da mobília uma mesa pequena, rectangular, e umas três ou quatro cadeiras, e ainda esses banquitos toscos onde as netas se sentavam.
Contava-se ainda um quarto que era do avô Zé Franquinho e onde a avó só entrava para fazer a cama, depois a casa da costura, onde estava a cama da avó e a sua máquina de costurar, para além de uma mesa onde ela cortava as costuras, e uma arca pequena onde guardava as roupas.
A avó trabalhava de costura para as clientes da terra, que ali mandavam fazer roupa nova ou ainda arranjos, como pôr meias-costas nas camisas, ou os colarinhos - era o que se rompia mais - ou ainda as meias folhas dianteiras nas calças, assim como as bainhas e ainda os fundilhos, tudo isso se fazia para gastar menos dinheiro nos tecidos.
Era aí que a avó trabalhava, que comia, quase sempre em cima da máquina de costura, ou até, na hora da sesta, lá deitava ela a cabeça para descansar.
Na cama à noite, a avó Joaquina dormia quase sempre com uma das netas, o quarto principal era só do avô, e Dalila nunca se lembra de que os avós dormissem juntos.
As casas da avó eram de terra batida, e quando faziam limpeza também lavava o chão de terra, com água e um barro vermelho desfeito, para lhes dar outra cor, ou ainda com um pó vermelho a que chamavam almagra, se havia dinheiro para o comprar.
Já a casa de Julieta, com outra porta de entrada e que ficava logo ao lado, era um pouco diferente: o quarto e a sala já eram de cimento e os tectos eram forrados a madeira.
Existia uma sala de jantar, onde nunca ninguém jantava, com uma mesa e cadeiras, mais dois aparadores. Colocada na mesa havia uma toalha, e naperons jaziam nos aparadores, naperons cremes e todos bordados, com cestas de flores, alegres, de todas as cores, que Dalila adorava, e que tinha a mãe bordado para o seu enxoval.
O quarto de casal, com uma cama cómoda e mesa-de-cabeceira, tudo estava aí mobilado com as mobílias que os pais dela lhe tinham dado aquando do casamento.
Ao descer dois degraus era outro quarto, o da pequenada, tinha apenas uma cama de ferro grande com uma trancinha e um florão, tudo pintado de verde, e um colchão feito pela mãe, e cheio de ‘ex-camisas’ (invólucros de maçarocas) de milho, desfiadas - como se dizia na terra.
Esta palha que enchia os colchões era então as ‘ex-camisas’ desfiadas, apenas a palha que envolvia as espigas de milho, que uma vez retiradas e secas eram rasgadas em tiras, e enchia-se assim os colchões, as cabeceiras e travesseiros, isto se a lã das ovelhas não chegava para os travesseiros.
Nestes colchões podia-se modelar o sitio onde se deitavam, o enchimento era fofo e faziam uma cova no meio, ou onde se deitavam, e normalmente Julieta fazia essa inclinação para o meio, evitando assim que as filhas ao se voltarem resvalassem e caíssem ao chão, o que por vezes acontecia.
Depois para que não se destapassem pregava os cobertores com alfinetes de dama nas noites frias de Inverno em que fazia muito frio.
Existia ainda um lagar onde se fazia o vinho, havendo aí uma chaminé e uma mesa de cozinha que só servia quando Julieta não fazia o comer junto com a mãe, o que acontecia poucas vezes.
Era nesse lagar que se fazia o vinho todo que se criava na vinha, ou só uma parte – ali para a casa - se o pai vendia o resto das uvas, ou as transportava para Atalaia e fazia lá o vinho, noutra adega da família que era dos avós paterno.
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPITULO
AUTORA LÍDIA FRADE
O MESMO LOCAL.... UMA NOVA ENTRADA EMBELEZADA, NO LOCAL DA AGORA VIVENDA DE DOIS PISOS, ERA.... A CASA DA FAMÍLIA!!!
A CASA DA FAMÍLIA
A casa da Fazenda ficava num sítio mais plano a meio da encosta, e a circundar a envolvência da casa já havia flores plantadas antes, o que criava uma envolvência bonita - eram roseiras, lírios, estrelas do meio-dia, e os malmequeres, que eram os grandes reis do jardim.
Plantados em plano mais alto, os malmequeres caíam em cachoeira de flores brancas pelo valado e, sendo em grande abundância, davam um enquadramento lindo para uma casa pobre, baixa, e sem atractivos, apenas com estes alegretes de flores por moldura.
Percorrendo por dentro a casa, via-se que era uma construção única embora dividida em duas. Na parte da avó Joaquina avultava uma cozinha muito grande, a toda a largura da casa, tinha uma chaminé enorme ao fundo, com uma fornalha na frente da boca do forno e um espaço para um banquito de cada lado, onde as netas se sentavam para se aquecerem no Inverno.
Ao lado da chaminé havia um poial para pôr a quarta da água, que servia para os gastos da cozinha.
O resto do mobiliário era uma louceira e uma grade, onde se compunham as louças para serviço, que eram poucas, e havia também dependurado um guarda-comidas. Era assim lhe chamavam, a um armário pequeno e quadrado, com uma rede mosquiteira à volta, e com uma porta fechada, para não entrarem gatos ou moscas – que abundavam – e como não havia frigoríficos era onde se guardavam os condutos.
Na cozinha fazia ainda parte da mobília uma mesa pequena, rectangular, e umas três ou quatro cadeiras, e ainda esses banquitos toscos onde as netas se sentavam.
Contava-se ainda um quarto que era do avô Zé Franquinho e onde a avó só entrava para fazer a cama, depois a casa da costura, onde estava a cama da avó e a sua máquina de costurar, para além de uma mesa onde ela cortava as costuras, e uma arca pequena onde guardava as roupas.
A avó trabalhava de costura para as clientes da terra, que ali mandavam fazer roupa nova ou ainda arranjos, como pôr meias-costas nas camisas, ou os colarinhos - era o que se rompia mais - ou ainda as meias folhas dianteiras nas calças, assim como as bainhas e ainda os fundilhos, tudo isso se fazia para gastar menos dinheiro nos tecidos.
Era aí que a avó trabalhava, que comia, quase sempre em cima da máquina de costura, ou até, na hora da sesta, lá deitava ela a cabeça para descansar.
Na cama à noite, a avó Joaquina dormia quase sempre com uma das netas, o quarto principal era só do avô, e Dalila nunca se lembra de que os avós dormissem juntos.
As casas da avó eram de terra batida, e quando faziam limpeza também lavava o chão de terra, com água e um barro vermelho desfeito, para lhes dar outra cor, ou ainda com um pó vermelho a que chamavam almagra, se havia dinheiro para o comprar.
Já a casa de Julieta, com outra porta de entrada e que ficava logo ao lado, era um pouco diferente: o quarto e a sala já eram de cimento e os tectos eram forrados a madeira.
Existia uma sala de jantar, onde nunca ninguém jantava, com uma mesa e cadeiras, mais dois aparadores. Colocada na mesa havia uma toalha, e naperons jaziam nos aparadores, naperons cremes e todos bordados, com cestas de flores, alegres, de todas as cores, que Dalila adorava, e que tinha a mãe bordado para o seu enxoval.
O quarto de casal, com uma cama cómoda e mesa-de-cabeceira, tudo estava aí mobilado com as mobílias que os pais dela lhe tinham dado aquando do casamento.
Ao descer dois degraus era outro quarto, o da pequenada, tinha apenas uma cama de ferro grande com uma trancinha e um florão, tudo pintado de verde, e um colchão feito pela mãe, e cheio de ‘ex-camisas’ (invólucros de maçarocas) de milho, desfiadas - como se dizia na terra.
Esta palha que enchia os colchões era então as ‘ex-camisas’ desfiadas, apenas a palha que envolvia as espigas de milho, que uma vez retiradas e secas eram rasgadas em tiras, e enchia-se assim os colchões, as cabeceiras e travesseiros, isto se a lã das ovelhas não chegava para os travesseiros.
Nestes colchões podia-se modelar o sitio onde se deitavam, o enchimento era fofo e faziam uma cova no meio, ou onde se deitavam, e normalmente Julieta fazia essa inclinação para o meio, evitando assim que as filhas ao se voltarem resvalassem e caíssem ao chão, o que por vezes acontecia.
Depois para que não se destapassem pregava os cobertores com alfinetes de dama nas noites frias de Inverno em que fazia muito frio.
Existia ainda um lagar onde se fazia o vinho, havendo aí uma chaminé e uma mesa de cozinha que só servia quando Julieta não fazia o comer junto com a mãe, o que acontecia poucas vezes.
Era nesse lagar que se fazia o vinho todo que se criava na vinha, ou só uma parte – ali para a casa - se o pai vendia o resto das uvas, ou as transportava para Atalaia e fazia lá o vinho, noutra adega da família que era dos avós paterno.
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPITULO
AUTORA LÍDIA FRADE
quarta-feira, 28 de abril de 2010
APRESENTAÇÃO DOS LIVROS, A FAZENDA ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO, E AMOR ETERNO DE LÍDIA FRADE
Integrado no aniversário da Sociedade Recreativa Atalaiense, em Atalaia, Almoster Santarém
Mais uma apresentação na Sociedade Recreativa Atalaiense, dos livros de Lídia Frade, " A Fazenda Onde Veio a Luz ao Mundo," um livro de prosa, ou pequeno romance, com uma história centrada nos anos 50 a 70, retratando essa época, com saberes, usos, costumes, e viveres, com 140 paginas, onde ao lerem, uns podem relembrar vivências, outros aprende-las, ou até recria-las, porque um livro pode ser um guia cultural.
Mais uma apresentação na Sociedade Recreativa Atalaiense, dos livros de Lídia Frade, " A Fazenda Onde Veio a Luz ao Mundo," um livro de prosa, ou pequeno romance, com uma história centrada nos anos 50 a 70, retratando essa época, com saberes, usos, costumes, e viveres, com 140 paginas, onde ao lerem, uns podem relembrar vivências, outros aprende-las, ou até recria-las, porque um livro pode ser um guia cultural. O outro livro, " Amor Eterno, Interregno e Silêncio" poesia, emoções, ou simplesmente criatividade traduzida, em palavras poeticamente, e livremente colocadas, linguagem simples, intendivel para todos.
Para engrandecer toda uma tarde cultural, estava presente ainda uma exposição de pintura da mesma autora, a actuação da Escola de Danças Paroquial do Vale de Santarém, assim como a actuação do Rancho Folclórico Atalaiense fazendo as honras da casa.
sábado, 24 de abril de 2010
2º CAPITULO O AVÔ DIONÍSIO
2º CAPITULO
O AVÔ DIONÍSIO
O avô trazia sempre um cartucho feito de papel pardo enrolado em bico, com alguns rebuçados para lhe dar, e então Dalila corria até à estrada, para dar um beijo ao avô e ir buscar os rebuçados, para dividir entre ela e a Amália.
Numa manhã cedo a avó Gertrudes tinha vindo da Atalaia estrada abaixo, no caminho de Santarém. O avô Dionísio tinha saído no dia anterior e não voltou para casa, a avó chamou lá da estrada pela Julieta, perguntou se o tinham visto, mas a resposta foi negativa.
E pouco depois chegou a notícia terrível, o avô Dionísio tinha aparecido morto, caído com a bicicleta na ribanceira, toda a aflição da família irrompe, tudo a correr para o local, mas a avó Joaquina não foi.
Primeiro tinha de tomar conta das netas, depois, só foi após fazer uma roupa de luto para Dalila, ela era a mais velha, parecia mal não lhe vestir uma roupa escura.
Como não tinha mais nada, foi fazer um vestido cinzento de riscado, do que utilizava para fazer os forros das calças, ou dos coletes, aos seus clientes, coitadinha de Dalila, enfiada num vestido pardo e feio.
Foi assim o seu primeiro luto, um vestido que ela lembra, feio e pardo, com quatro buracos, um para a cabeça, dois para os braços e o ultimo de onde saiam as suas pequenitas pernas, e tudo isto porque parecia mal não vestir luto, um significado que ela ainda não conhecia.
A seguir foi mandada com a irmã Amália, para casa do tio Isidro, para as primas tomarem conta delas, enquanto duraram os preparativos do funeral, do velório e enterro.
Após isso, Dalila só tinha falado do assunto quando ia a Santarém com a mãe, na camioneta, ela disse-lhe onde tinha acontecido e que nunca ninguém sabia porque tinha acontecido, talvez lhe tivesse dado alguma coisa de repente, ou talvez fosse da sua falta de vista, que era já em grande grau.
O avô Dionísio usava óculos muito grossos, ficava tudo por aí, aconteceu simplesmente, e ficaram só as lembranças de criança desse acontecimento.
Foi também por essa época que Dalila foi baptizada. Os seus padrinhos foram os seus tios, um irmão mais velho de seu pai, até lhe tinham colocado o nome da madrinha, quando nasceu.
O baptizado foi no Convento de Santa Maria de Almoster, a madrinha ofereceu-lhe um lindíssimo vestido branco, cheio de folhinhos, com grande laço atado atrás, na cintura, soquetes brancos, sapatos de verniz, estava linda, Dalila no dia do seu baptizado parecia uma bonequinha, e já muito vaidosa.
CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO
O AVÔ DIONÍSIO
O avô trazia sempre um cartucho feito de papel pardo enrolado em bico, com alguns rebuçados para lhe dar, e então Dalila corria até à estrada, para dar um beijo ao avô e ir buscar os rebuçados, para dividir entre ela e a Amália.
Numa manhã cedo a avó Gertrudes tinha vindo da Atalaia estrada abaixo, no caminho de Santarém. O avô Dionísio tinha saído no dia anterior e não voltou para casa, a avó chamou lá da estrada pela Julieta, perguntou se o tinham visto, mas a resposta foi negativa.
E pouco depois chegou a notícia terrível, o avô Dionísio tinha aparecido morto, caído com a bicicleta na ribanceira, toda a aflição da família irrompe, tudo a correr para o local, mas a avó Joaquina não foi.
Primeiro tinha de tomar conta das netas, depois, só foi após fazer uma roupa de luto para Dalila, ela era a mais velha, parecia mal não lhe vestir uma roupa escura.
Como não tinha mais nada, foi fazer um vestido cinzento de riscado, do que utilizava para fazer os forros das calças, ou dos coletes, aos seus clientes, coitadinha de Dalila, enfiada num vestido pardo e feio.
Foi assim o seu primeiro luto, um vestido que ela lembra, feio e pardo, com quatro buracos, um para a cabeça, dois para os braços e o ultimo de onde saiam as suas pequenitas pernas, e tudo isto porque parecia mal não vestir luto, um significado que ela ainda não conhecia.
A seguir foi mandada com a irmã Amália, para casa do tio Isidro, para as primas tomarem conta delas, enquanto duraram os preparativos do funeral, do velório e enterro.
Após isso, Dalila só tinha falado do assunto quando ia a Santarém com a mãe, na camioneta, ela disse-lhe onde tinha acontecido e que nunca ninguém sabia porque tinha acontecido, talvez lhe tivesse dado alguma coisa de repente, ou talvez fosse da sua falta de vista, que era já em grande grau.
O avô Dionísio usava óculos muito grossos, ficava tudo por aí, aconteceu simplesmente, e ficaram só as lembranças de criança desse acontecimento.
Foi também por essa época que Dalila foi baptizada. Os seus padrinhos foram os seus tios, um irmão mais velho de seu pai, até lhe tinham colocado o nome da madrinha, quando nasceu.
O baptizado foi no Convento de Santa Maria de Almoster, a madrinha ofereceu-lhe um lindíssimo vestido branco, cheio de folhinhos, com grande laço atado atrás, na cintura, soquetes brancos, sapatos de verniz, estava linda, Dalila no dia do seu baptizado parecia uma bonequinha, e já muito vaidosa.
CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO
quarta-feira, 21 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
1º CAPITULO DE A FAZENDA ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO
1º CAPITULO
PERSONAGENS
AVÔ-------------- ZÉ FRANQUINHO
AVÓ--------------JOAQUINA
PAI----------------DEODATO
MÃE-------------JULIETA
1ª FILHA--------DALILA
2ª FILHA--------AMÁLIA
3ªFILHA---------LISETE
4ªFILHA--------GRACIETE
PARTEIRA------MARIA ALBANA
PRIMO………..ALBERTO
PRIMA…………CLARISSE
MADRINHA…..LAURA
PADRINHO…..ROGÉRIO
FILHO…………RAUL
EMPREGADA…ALDA
A FAZENDA, ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO
Era aquela a fazenda, ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO, era linda, e Dalila tinha um grande orgulho de ter ali nascido, não era de terrenos planos, antes pelo contrário, mas parecia um livro que se abria, ilustrado pelo maior dos artistas.
Ali em Ponte do Celeiro, nome atribuído por na entrada da povoação haver uma ponte sobre a vala de Asseca, ali de passagem para a Ponte da Asseca.
Junto da mesma ponte havia uns celeiros para guardar os cereais cultivados ali pelos pauis circundantes, e assim nascia a Ponte do Celeiro entre vales e montes, salgueiros e caneiras, pinheiros carrascos e aroeiras, casas ou casais dispersos.
Para Dalila aquele era, e será sempre, um lugar de eleição dentro do seu coração, por tudo o que lá viveu, com pessoas que muito amou e ama, porque lá cresceu, e aprendeu a amar cada pedaço daquela fazenda, e era realmente um paraíso terreno, que guardou para sempre no seu coração.
A FAMILIA
Era a fazenda do bisavô Luís Môco, que Dalila não conheceu e que, ali na época, era já do Isidro do Luís Môco, seu tio-avô, que vivia em metade com a sua família, e da avó Joaquina do Luís Môco, mãe de Julieta que ali vivia também, e onde fez continuidade da sua família.
Contudo apesar de a fazenda ser herança da avó Joaquina, Dalila sempre ligou mais o local à figura do avô Zé Franquinho, avô materno, não por alguma vez o ver trabalhar na fazenda. Ele era até uma pessoa frágil e tinha contraído alguns anos atrás a doença da tuberculose, esteve num sanatório em tratamento, mas na época a cura era difícil, e a doença dominava sempre o percurso de vida.
Para além desse facto e porque era uma figura que sempre impressionou Dalila ao longo dos anos, pela sua postura, elegância, sempre impecavelmente vestido, diferente dos outros homens, sem ser com roupa de cotim, como normalmente andavam vestidos todos os trabalhadores da aldeia, era o avô que melhor conheceu, o seu avô Zé.
Depois a avó Joaquina, pegou logo ao colo Dalila assim que veio ao mundo, que lhe ouviu os primeiros gritos, o primeiro choro de luta pela sobrevivência, forçados como ela lhe contava, foi a primeira neta, e a primeira filha, e a primeira menina na família, já havia dois rapazes primos e já bem crescidos, filhos da sua tia Ermelinda.
Era muito normal as crianças nascerem em casa na época, mas o parto foi muito difícil, a parteira da terra, a Sr. Maria Albana estava a ver que não conseguia dar conta do recado, depois de muitas horas de sofrimento para Julieta e filha, a família já queria leva-la para o hospital, para Santarém, mas nessa altura, já a parteira disse que não se responsabilizava pela mudança, e sendo assim deixaram tudo na mesma, correndo todos os riscos, e Dalila nasceu em casa, resistiram as duas, sendo que já nem conseguia chorar, dar o seu grito de Ipiranga.
A parteira aflita pediu uma bacia de água quente, outra de água fria, e foi assim mergulhada em sequência, que Dalila não gostou, destas diferenças, e reagiu, gritou, chorou. Então, já mais descansadas com a reacção, a parteira foi tratar de Julieta, que estava pronta e sem mais resistências, e a avó Joaquina foi cuidar da sua querida netinha.
Assim provavam mãe e filha que são grandes mulheres para a luta, mulheres de fibra, capazes de enfrentar todos os desafios, desde o dia do nascimento, porque assim nasceu Dalila, ali ela viu a luz do Mundo, com o mínimo de rudimentares apoios.
Engraçado era que, na aldeia, havia o hábito e costume de as crianças chamarem madrinhas às parteiras, ou curiosas, que as aparavam na nascença, mas no entanto Dalila cortou com esse hábito, ou com essas regras, desde que entendeu, e sabia que tinha uma madrinha, e nunca quis chamar madrinha à Sr. Maria Albana.
Foi aqui no seio desta família, e nesta fazenda do avô Zé Franquinho e da avó Joaquina, que Dalila despontou para Mundo. Saberia porém passados alguns anos que tinha outro avô, o avô Dionísio.
Tinha ela cinco anos quando ele apareceu morto no caminho das Fontaínhas, perto da Quinta do Ramalho, e as lembranças mais nítidas que tinha dele era de o ver encostado na bicicleta, na estrada lá em cima, chamando a sua menina, quando vinha de Santarém.
CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO
PERSONAGENS
AVÔ-------------- ZÉ FRANQUINHO
AVÓ--------------JOAQUINA
PAI----------------DEODATO
MÃE-------------JULIETA
1ª FILHA--------DALILA
2ª FILHA--------AMÁLIA
3ªFILHA---------LISETE
4ªFILHA--------GRACIETE
PARTEIRA------MARIA ALBANA
PRIMO………..ALBERTO
PRIMA…………CLARISSE
MADRINHA…..LAURA
PADRINHO…..ROGÉRIO
FILHO…………RAUL
EMPREGADA…ALDA
A FAZENDA, ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO
Era aquela a fazenda, ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO, era linda, e Dalila tinha um grande orgulho de ter ali nascido, não era de terrenos planos, antes pelo contrário, mas parecia um livro que se abria, ilustrado pelo maior dos artistas.
Ali em Ponte do Celeiro, nome atribuído por na entrada da povoação haver uma ponte sobre a vala de Asseca, ali de passagem para a Ponte da Asseca.
Junto da mesma ponte havia uns celeiros para guardar os cereais cultivados ali pelos pauis circundantes, e assim nascia a Ponte do Celeiro entre vales e montes, salgueiros e caneiras, pinheiros carrascos e aroeiras, casas ou casais dispersos.
Para Dalila aquele era, e será sempre, um lugar de eleição dentro do seu coração, por tudo o que lá viveu, com pessoas que muito amou e ama, porque lá cresceu, e aprendeu a amar cada pedaço daquela fazenda, e era realmente um paraíso terreno, que guardou para sempre no seu coração.
A FAMILIA
Era a fazenda do bisavô Luís Môco, que Dalila não conheceu e que, ali na época, era já do Isidro do Luís Môco, seu tio-avô, que vivia em metade com a sua família, e da avó Joaquina do Luís Môco, mãe de Julieta que ali vivia também, e onde fez continuidade da sua família.
Contudo apesar de a fazenda ser herança da avó Joaquina, Dalila sempre ligou mais o local à figura do avô Zé Franquinho, avô materno, não por alguma vez o ver trabalhar na fazenda. Ele era até uma pessoa frágil e tinha contraído alguns anos atrás a doença da tuberculose, esteve num sanatório em tratamento, mas na época a cura era difícil, e a doença dominava sempre o percurso de vida.
Para além desse facto e porque era uma figura que sempre impressionou Dalila ao longo dos anos, pela sua postura, elegância, sempre impecavelmente vestido, diferente dos outros homens, sem ser com roupa de cotim, como normalmente andavam vestidos todos os trabalhadores da aldeia, era o avô que melhor conheceu, o seu avô Zé.
Depois a avó Joaquina, pegou logo ao colo Dalila assim que veio ao mundo, que lhe ouviu os primeiros gritos, o primeiro choro de luta pela sobrevivência, forçados como ela lhe contava, foi a primeira neta, e a primeira filha, e a primeira menina na família, já havia dois rapazes primos e já bem crescidos, filhos da sua tia Ermelinda.
Era muito normal as crianças nascerem em casa na época, mas o parto foi muito difícil, a parteira da terra, a Sr. Maria Albana estava a ver que não conseguia dar conta do recado, depois de muitas horas de sofrimento para Julieta e filha, a família já queria leva-la para o hospital, para Santarém, mas nessa altura, já a parteira disse que não se responsabilizava pela mudança, e sendo assim deixaram tudo na mesma, correndo todos os riscos, e Dalila nasceu em casa, resistiram as duas, sendo que já nem conseguia chorar, dar o seu grito de Ipiranga.
A parteira aflita pediu uma bacia de água quente, outra de água fria, e foi assim mergulhada em sequência, que Dalila não gostou, destas diferenças, e reagiu, gritou, chorou. Então, já mais descansadas com a reacção, a parteira foi tratar de Julieta, que estava pronta e sem mais resistências, e a avó Joaquina foi cuidar da sua querida netinha.
Assim provavam mãe e filha que são grandes mulheres para a luta, mulheres de fibra, capazes de enfrentar todos os desafios, desde o dia do nascimento, porque assim nasceu Dalila, ali ela viu a luz do Mundo, com o mínimo de rudimentares apoios.
Engraçado era que, na aldeia, havia o hábito e costume de as crianças chamarem madrinhas às parteiras, ou curiosas, que as aparavam na nascença, mas no entanto Dalila cortou com esse hábito, ou com essas regras, desde que entendeu, e sabia que tinha uma madrinha, e nunca quis chamar madrinha à Sr. Maria Albana.
Foi aqui no seio desta família, e nesta fazenda do avô Zé Franquinho e da avó Joaquina, que Dalila despontou para Mundo. Saberia porém passados alguns anos que tinha outro avô, o avô Dionísio.
Tinha ela cinco anos quando ele apareceu morto no caminho das Fontaínhas, perto da Quinta do Ramalho, e as lembranças mais nítidas que tinha dele era de o ver encostado na bicicleta, na estrada lá em cima, chamando a sua menina, quando vinha de Santarém.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
PELOS CAMINHOS DE SANTA CRUZ, SANTARÉM
Igreja de Santa Cruz (Santarém)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Vista da fachada posterior, destacando-se a abside e o portal barroco.
A Igreja de Santa Cruz localiza-se na cidade de Santarém, na freguesia de Santa Iria da Ribeira, e constitui um dos monumentos escalabitanos mais representativos do estilo gótico, não obstante incluir elementos de outras correntes arquitectónicas, como o renascimento e o barroco. O templo, datado do século XIII, foi a sede de uma antiga paróquia, extinta no século XIX.
[editar] História
A igreja foi edificada no século XIII, sendo a data concreta da sua instituição desconhecida, sabendo-se apenas que teve o patrocínio da coroa. Porém, o facto de, ainda no século XII, Santa Cruz aparecer como sede paroquial leva a supor da existência de um primitivo e modesto templo, construído após a Reconquista da cidade, na sequência da nova organização cristã e do aumento demográfico então verificado. Desta forma, a actual igreja teria sido edificada num local já anteriormente consagrado ao culto.
Em 1280, D. Dinis doa o templo à Real Colegiada de Santa Maria da Alcáçova, em troca das igrejas de Alcoentre e Tagarro. No século XIV, o templo é reconstruído por iniciativa do Conde Lourenço Domingues Minatos e de sua mulher, Iria Afonso Caeira, que se encontram ambos sepultados na capela-mor. Em 1551, a nave foi reconstruída, tendo sido executadas as colunas divisórias. Ainda no mesmo ano, foi colocado o púlpito renascentista e foi edificado o coro, do qual apenas resta actualmente a balaustrada mudéjar. Em 1681, foram executados os azulejos que revestem a capela-mor e a capela baptismal.
A maior campanha artística de que o templo foi alvo deu-se na primeira metade do século XVIII, quando foi executado o pórtico barroco, da autoria de João Antunes, e que actualmente se encontra adossado à fachada nascente da Casa da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Esta casa, que se encontra junto à fachada sul da igreja, foi erigida em 1715. Em 1733, foi construída a torre sineira.
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