quarta-feira, 30 de junho de 2010

9º CAPITULO...AS HISTÓRIAS DA AVÓ JOAQUINA

9º CAPITULO

AS HISTÓRIAS DA AVÓ

Era a avó Joaquina que lhes contava todas as histórias, as dos lobisomens, as das bruxas más, e até das mouras que, supostamente, viviam escondidas dentro das minas, e roubavam as meninas se elas lá fossem espreitar - as mouras levavam-nas e nunca mais viam os pais, nem os avós, era tudo uma desgraça.

Mas de todas as histórias a que Dalila mais gostava de ouvir era a de um rouxinol que, costumava sempre cantar ali em baixo, na vinha.

A história começava assim: o rouxinol era o pássaro mais amado de Nossa Senhora, e para ela cantava, pousado nas videiras, mas… como as videiras cresciam de noite, Nossa Senhora recomendava-lhe, ‘que não adormecesse enquanto a noite e a videira crescessem’, mas o rouxinol esqueceu-se e adormeceu e, silenciosamente, um anel de uma videira foi crescendo, crescendo de mansinho durante a noite, e foi prendendo o pezinho do rouxinol, suavemente, sem ele dar por tal situação.


Quando o rouxinol pela madrugada acordou, prepara-se para voar para outra árvore mas… não conseguia voar, nem conseguia soltar-se da videira, então começou a chorar e a lamentar-se, esse choro e esse lamento era o seu cantar, apesar de ser lindo, porque a sua voz era linda, mas dizia, recordando as recomendações: ‘Nossa Senhora disse, disse, que enquanto a noite, e a videira crescesse, que não dormisse, que não dormisse’.
E assim destas palavras se completa o cantar do rouxinol. Nossa Senhora foi libertá-lo, mas ele nunca mais esqueceu, e no seu cantar com as mesmas palavras, passou de geração em geração, na família dos rouxinóis, e continuam assim, com a recomendação de Nossa Senhora, e a mesma entoação no seu cantar.
*
Era com a avó Joaquina, que aprendiam a rezar, ela era a sua catequista, rezavam juntas, ensinava-lhes o Pai-Nosso pequenino e grande, o Anjo da Guarda também, de duas versões, orações a vários Santos e Santas, e até a Santa Barbara quando fazia trovões.

Quando havia a procissão da Senhora da Saúde na Ribeira de Santarém, a avó gostava muito de lá ir, mas nem todos os anos podia, também se gastava dinheiro, mas num ano levou lá Dalila, que, para além da Procissão, outras coisas houve que lhe prenderam a atenção.

Todas as pessoas aproveitavam aquele dia de festa, levavam o seu farnel e, ali, pelas encostas, nas sombras das oliveiras, todos comiam e faziam os seus piqueniques, e havia os vendedores de melancias, que todas as pessoas compravam para refrescar e completar as suas refeições.

Já na Procissão do Senhor dos Passos, para o Santíssimo Milagre, iam mais vezes com a avó, porque era muito devota, do Santíssimo, e a avó contava-lhes a História do Milagre, levava-as a ver Jesus em tamanho natural, que estava exposto, e foi lá que Dalila viu pela primeira vez um grande órgão de Igreja, no piso superior, que tocava música sacra e com um som divinal, que impressionou Dalila.
*
Na fazenda da família todos trabalhavam, mas tinham horas para tudo, para a escola, para brincar, e para trabalhar, mas era tudo um pouco entregue a si próprio, os pais nunca se preocupavam se as filhas tinham estudado ou não, se tinham feito os trabalhos da escola, isso era irrelevante.

Apenas quando chegavam à quarta classe, que era o topo do ensino obrigatório, e se não tinham estudado o suficiente para passar, então sim, e a sentença dos pais era ‘se não estudaste, agora há trabalho para fazer, e irmãs para cuidar’, simplesmente isto.

Quando era no Verão e fazia muito calor, era a hora da brincadeira, não tinham brinquedos, ninguém os comprava, nem os oferecia, mas elas inventavam, todos os caquinhos de louça partida que encontravam eram os pratos de louça para brincarem às casinhas.

Tinham também os trapinhos das costuras da avó, e ela ensinava a fazer as suas bonecas, ou por vezes era ela que as fazia com muito aprumo e gosto, e por isso mesmo, e pelas recordações de Dalila, nasce um poema dedicado às suas bonecas.


A MINHA BONECA

A minha boneca
Que eu fiz de trapos,
Não ficou careca
Nem lhe faltou sapatos.
Com braços de bunho,
De pano-cru, o corpo,
Filha do meu sonho
Ficou-lhe um pé torto.
Olhos de botão
Perlé na boca
Dei meu coração
A coisa tão pouca.
Fiz saia godés
E blusa de chita
Laços em viés
Que bem que lhe fica.
Suave lembrança
Boneca e princesa
Foi tempo de esperança
De menina, pobreza.

TEXTO E POEMA DE LÍDIA FRADE

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

NÃO QUERO ESQUECER



NÃO QUERO ESQUECER

Não quero esquecer
Que fui poeta
Do amor e da desgraça
Da vida,
Em neblina permanente,
Que me envolveu
A visão, a consciência,
Que me turvou a mente.

Não quero esquecer
Que fui poeta
Numa roda gigante
Que rodou, girou
Vertiginosamente.

Uma roda, uma bola
Uma capsula formada
Arrastada, tocada, batida,
Amolgada, magoada,
De incompreensão acumulada!

Seria a poesia a culpada?
Ou a força do desespero?

Mas tudo começou por ser poeta!

Pelas palavras confrontada
Entre o ser! O saber! O querer!
O tudo ou nada!

POEMA DO MEU LIVRO "AMOR ETERNO"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

8 CAPITULO...DALILA PEQUENA MULHER

8º CAPITULO



DALILA PEQUENA MULHER



Dalila, como filha mais velha, ficou em casa, com mil recomendações, a tomar conta das irmãs, andavam elas, as mulheres, na encosta a trabalhar, de lá até se via perfeitamente a casa, e a mãe dissera que ‘se precisasse de alguma coisa’, para a chamar.

Mas Dalila não queria ser só a ama das manas, ela queria ser mais e, já que era dia de trabalho duro, que até tinha vindo uma mulher de fora, ela queria também trabalhar, e por isso mesmo se elas andavam a cavar, Dalila queria mostrar que também já era uma mulher para ajudar.

Começou por delegar esse cargo de ama, na sua irmã Amália, e ela foi ao trabalho, arrumou a cozinha, lavou louça, até a panela da sopa toda mascarrada, de fazer a comida no lume de lenha ela lavou. Acendeu o lume, colocou água na panela para fazer o almoço, queria ter já almoço feito quando a mãe chegasse.

Pensou um pouco e, resolveu fazer uma panela de sopa, couves lombardas com arroz, foi à horta apanhar uma couve, cortou-a com a faca em miudinho, lavou e meteu na panela, foi ao pacote do arroz, e meteu também um bocado dentro da panela, juntou sal e azeite, e tapou a panela para cozer.

Havia a mesa da cozinha, que ela queria alindar! Como não encontrou mais toalha nenhuma de mesa, colocou uma toalha turca de rosto, achou que assim podia resolver o problema que tinha, toalha é sempre toalha.


Foi procurar uma jarra a casa da mãe, porque estava na cozinha da avó, e a avó não tinha jarras, apanhou um grande ramo de flores, e colocou na jarra em cima da mesa e da toalha de limpar a cara, olhou e achou que estava bonita, a cozinha da avó enfeitada.

Na continuação dos seus trabalhos de dona de casa com nove anos e, ao procurar a tal toalha, encontrou uma camisa do pai que ela adorava, uma ideia lhe saltou, queria ficar diferente também na roupa, ficar mais mulher do que menina, despiu a sua roupa, e vestiu uma camisa de malha de seda azul com riscas brancas, que o pai tinha comprado lá para Lisboa, e que lhe servia agora de vestido.

Ela adorava aquela camisa, e para o pai também devia ser especial, ele andava a trabalhar em Lisboa, e da última vez que tinha vindo a casa, tinha chegado com aquela linda camisa, tinha um toque muito especial, aquela malha de seda, escorregante na sua delicadeza, e que Dalila desconhecia até ali, mas ficou deslumbrada, também porque ninguém ali naquela terra teria uma camisa igual à do seu pai.

Depois de tudo preparado em casa, e na sequência do seu trabalho, faltava lavar o biberão da sua irmã mais nova, a Graciete, e assim foi lavá-lo como via a mãe fazer.
Era uma garrafa, com uma chupeta que a mãe comprara na farmácia, e que tinha adaptado na garrafa. A forma de a lavar também era bem diferente das de hoje, que com todos os cuidados de lavagem até colocam as coisas num esterilizador próprio.

Pegou a garrafa, foi até junto de um monte de areia que havia perto da casa, meteu um pouco de areia dentro da garrafa, foi ao tanque onde estava sempre a água corrente e limpinha, meteu-a na garrafa, bateu muito bem batido para a areia arrancar os resíduos de leite, repetiu mais de uma vez, e ali estava o biberão bem limpinho para a próxima vez.

Mas alguma coisa teria de correr mal, este tanque tinha a beira rente à terra, estava cavado na terra e sem guarda, e ela de tanta água ter espalhado por ali com as suas lavagens, esbarrou, desequilibrou-se, cai mesmo de costas dentro do tanque, e como era enorme, era mais fundo do que o total da sua altura, esperneou, gritou quanto pode, mas a sua mãe não a ouviu, só que ela não desistiu até que conseguiu sair de lá sozinha.

Assustada, encharcada mas recuperada, voltou para casa, despiu a camisinha de malha de seda do pai, voltou a vestir a sua roupa, e entretanto chegaram elas, a mãe, a avó e a vizinha que andavam a trabalhar nas sementeiras. Tinha chegado a hora do almoço.

Quando a mãe vinha a chegar, já Amália foi a correr contar o que se tinha passado, que Dalila tinha caído dentro do tanque, é que ela gostava sempre de se antecipar com as novidades.

Quando Julieta entrou em casa viu o aparato da toalha e das flores em cima da mesa, fartou-se de rir e chamou a vizinha, que já ia subindo a serventia – o caminho secundário próprio da fazenda - para ir almoçar a casa, queria que ela visse o arranjo e o trabalho feito, e foi então que, toda vaidosa, Dalila lhes disse que estava a fazer couves com arroz para o almoço.

Foi festa de bom rir, até lhes contar o resto da história, a mãe ficou vaidosa da filha também, mas preocupada por causa do tanque, e misturado com ralhetes foi dizendo o ditado “ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo”. No fim de tudo foi ela que teve de retirar o biberão do tanque, pois Dalila conseguiu sair, mas a garrafa havia lá ficado.

LÍDIA FRADE


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sábado, 12 de junho de 2010

A MINHA RUA, FOTOS E POEMA, COM RIO TEJO EM FUNDO E MONTIJO DO OUTRO LADO

A MINHA RUA Que é grande!!! Desanuviada Com curvas e cruzamentos Sinais que marcam os tempos E Santa Beatriz, a bem amada Em sua casa!!! A bela Igreja Ali bem viradinha ao Tejo Que sem pudores ou inveja Olhando!!! Eu também vejo Não miradouro… mais mirantes Mas com espaços… recatados É inspiração de amantes Ou paragens… de enamorados Pertinho das minhas janelas Tem árvores com passarinhos Pelas manhãs… bem tagarelas Mas nunca vi…por lá os ninhos Com excedentes de livreiros Esta manhã ao acordar Palravam bem… os parceiros Pardais no parque?… nem pensar A feira estava montada Alguém lhes cedeu o local No meu parque… pela calada Livros escolares!... menos mal É muito mais que tudo isso É um local de eleição!!! E a eleição do local!!! Com a RTP a afirmação! Tem a Santa Beatriz Na missa dominical. Se em vez de um primeiro andar, eu morasse mais a cima, Eu queria o setimo piso, eaté de noite eu veria os barcos iluminados Aqui, no lindo tejo, a passar. A MINHA RUA É UM LOCAL PREVILIGIADO, COM MUITO ESPAÇO VERDE, DE ONDE POSSO VER O TEJO, PENA É VIVER NO 1º ANDAR

A MINHA RUA, FOTOS E POEMA, COM RIO TEJO EM FUNDO E MONTIJO DO OUTRO LADO


IGREJA DE SANTA BEATRIZ, COM SUAS MULTIVALÊNCIAS


A MINHA RUA

Porque não…eu ir tentar
Continuar a vossa ideia
Amigos podem contar!
Vou activar a minha veia.

FALAR EU DA MINHA RUA

Que é grande!!! Desanuviada
Com curvas e cruzamentos
Sinais que marcam os tempos
E Santa Beatriz, a bem amada

Em sua casa!!! A bela Igreja
Ali bem viradinha ao Tejo
Que sem pudores ou inveja
Olhando!!! Eu também vejo

Não miradouro… mais mirantes
Mas com espaços… recatados
É inspiração de amantes
Ou paragens… de enamorados

Pertinho das minhas janelas
Tem árvores com passarinhos
Pelas manhãs… bem tagarelas
Mas nunca vi…por lá os ninhos

Com excedentes de livreiros
Esta manhã ao acordar
Palravam bem… os parceiros
Pardais no parque?… nem pensar

A feira estava montada
Alguém lhes cedeu o local
No meu parque… pela calada
Livros escolares!... menos mal

É muito mais que tudo isso
É um local de eleição!!!
E a eleição do local!!!
Com a RTP a afirmação!
Tem a Santa Beatriz
Na missa dominical.

Poema de Lídia Frade

segunda-feira, 7 de junho de 2010

7º A LAVAGEM DA ROUPA

7º CAPITULO

A LAVAGEM DA ROUPA

Descrevemos agora, percorrendo, o resto da fazenda, passando o ribeiro por uma ponte artesanal, feita pela família. Aqui havia um terreno, era só de vinha, até se chegar a outro enorme tanque.

Esse tanque possuía a mesma dimensão do primeiro e era de nascente igual, mas tinha uma particularidade: era ali que normalmente se lavava a roupa da família e não só, algumas pessoas amigas usavam-no se não tinham onde lavar.

Julieta deixava que fossem lá fazê-lo, até porque havia perto outro tanque mas, como tudo era privado, tinha dono, e os donos eram os chamados “Velhos da Fonte”, eram um casal com fama de ricos, e cobravam para lá deixarem lavar.

Tudo isto numa época e numa aldeia onde não se ouvia falar de máquinas de lavar, e toda a roupa era lavada à mão, esfregada na pedra do tanque, e até colocada a corar ali mesmo pelo chão, ao sol, em cima de qualquer planta rasteira. A roupa era ensaboada e colocada ao sol, depois era só ir borrifando com água, para o sol ir ‘absorvendo’ as nódoas.

Enquanto se lavava a roupa ia-se logo estendendo de imediato por ali, por cima das latadas de videiras. Muitas vezes, como as roupas nessa época eram poucas, tinham de ser lavadas para voltar a vesti-las logo de seguida.

Também era de alguma conveniência voltar para casa com a roupa já seca, devido ao peso, que se tinha de transportar à cabeça, ainda com a agravante de não haver alguidares leves de plástico, e quando a roupa era transportada estando ainda molhada, era-o em alguidares de barro, algo muito mais pesado.

Por todo o lado e mais perto dos tanques havia flores plantadas, de várias espécies, que seriam para Julieta fazer ramos para vender, umas, a que ela chamava de vassourinhas, altas, esguias, havia-as brancas e azuis ou quase em lilás, e jarros, muitos jarros branquinhos.

Eram todas plantadas por ali, pela beira dos carreiros, enfeitavam e podiam ser transformadas em dinheiro, e era fácil regá-las estando perto dos tanques. Depois, era só apanhar grandes ramos, e tentar vendê-los.

CEREJEIRA E FIGUEIRA

As cerejeiras eram também por ali, a meia encosta, e como eram elas boas e grossas, só era pena que os frutos amadureciam e acabavam rapidamente. Dalila gostava delas, desfrutava todo o prazer de subir por ali acima, compor-se num tronco, comer aí até fartar, ninguém tinha a preocupação se estava lavada ou não, quer fossem cerejas ou outras frutas, se havia vontade de comer, era só apanhar das arvores e comer, e depois, se mais durassem, eram os melros os grandes aproveitadores.

Julieta bem fazia e metia espantalhos no cimo da cerejeira, latas penduradas a bater umas nas outras para os espantar, mas de pouco valia, eles comiam, cantavam, chilreavam, sem medo nem vergonha.
*
Passada a área do tanque e da horta, começava-se a subir para o termo da fazenda, mas agora com grande inclinação, a vinha continuava até meio da encosta, e logo a seguir aproximávamo-nos de uma figueira de figos grandes, de pele negra cor de beringela, que Dalila adorava.

Subia à figueira e comia, comia, até se fartar, eram dos primeiros a amadurecer, depois bem perto havia outra figueira pequenita, a de figos brancos, que dava duas vezes ao ano, os primeiros eram maiores, os da segunda camada eram muito pequeninos e tão saborosos que regalava comê-los.

Havia outra figueira que Julieta dizia ter plantado quando Dalila nasceu, porque acreditava que seria bom plantar uma árvore, da sua idade, para crescer assim com ela. O facto é que logo, quando Dalila começou a entender esse sentido, passou a sentir-se ligada àquela árvore, e várias vezes subia a encosta e ia sentar-se ao pé da figueira, e ver quanto ela crescia, assim, bem mais do que Dalila.

No entanto pouco se atrevia a subi-la, ficava só ali pelo pé, achava-a muito frágil para subir mais, como subia nas outras grandes e apanhar-lhe os figos, e a mãe chamava-as sempre à atenção, dizendo como as figueiras se partiam com facilidade com o peso, lascavam as trancas.

Podia até acontecer que, com o peso dos figos, se eram em grande quantidade quando estavam maduros, e quando havia muito calor, lascavam e caíam trancas, e aquela era a sua figueira, e ela queria era vê-la crescer saudável.

O resto do terreno era de semear, e era normal semear-se por lá as favas, ervilhas, tremoços, ou gramicha, que Deodato gostava muito de semear para ração do gado.

Certa vez Julieta arranjara até outra mulher para ir semear as ervilhas com ela, a avó Joaquina foi também para pôr as ervilhas no rego, e Julieta e a outra senhora iam cavando e estonando, que era o raspar das ervas daninhas para dentro do rego, onde apodrecia e servia de estrume ou fertilizante.

A autora Lídia Frade

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

NOSSA VIDA


NOSSA VIDA

O tudo da vida
Nada mais é
Que a própria vida!

O tudo da vida
É um óvulo!
O desenvolver, o crescer,
É o sentir o bater
De um outro coração,
Dentro do seu próprio corpo
Do seu próprio ser.

O tudo da vida
É sentir sair das entranhas!
Com a dor
Um misto de alegria
Por dar a vida com amor!

A certeza da vida
É saber que jamais!
Poderá,
Alguém ser pai!

Se não existir!

UMA MÃE!

sábado, 22 de maio de 2010

IGREJA DA PORTELA DE SACAVÉM, PINTURA EM TELA LY

6º CAPITULO OS CIGANOS.... E AS VENDAS DA PRAÇA!!!

6º CAPITULO


OS CIGANOS

No Outono as canas estavam pois boas para o corte. Por essa altura aparecia também, sempre, uma grande família de ciganos, que acampava perto da estrada. Pediam para cortar canas e depois faziam cestos.

Apanhavam-nas, limpavam-nas de todas as folhas e fios de folhagem, cortavam no sentido do comprimento, todas às tirinhas, depois delas faziam toda a espécie de cestos, com asas, sem asas, redondos, ovais, grandes ou pequenos, dependendo da habilidade, e criatividade de cada artista, mas sempre com as canas verdes para poderem moldar.

Ficavam por ali alguns dias a fazer cestos até chegar a Feira da Piedade. Depois, carregavam de novo tudo nas carroças, e aí iam eles em caravana, a caminho da feira, várias carroças, vários burros, e os cestos atados no cimo das carroças, faziam uma linda vista, e grande cortejo, tudo caminhando em direcção a Santarém.

Era normal serem só os pequenitos, ou alguém com muita dificuldade, a ter lugar nas carroças, tal a carga com todos os seus haveres, que eram poucos - mas já muitos para transportar nas suas carroças - os colchões e mantas, panela e pratos, o cântaro para água.

Até os cães, caminhavam com os donos em cada etapa das suas viagens errantes, pois todos os outros, capazes iam assim a pé, acompanhando as carroças. E partiam, mas não sem antes oferecerem algumas cestas, pelo agrado à cedência das canas e de alguma coisa mais que Julieta lhes teria dado para comerem.


imagem google

AS VENDAS NA PRAÇA DE SANTARÉM

Era então nessas cestas que Julieta levava as coisas mais leves e mais frágeis para a venda, como os figos, ou ainda os ovos.
E por falar em figos, e tal como tudo, obedecia-se aqui a um ritual de preparação. Os figos eram apanhados com uma roca de cana, nas abas da figueira, onde era difícil chegar até só com a escada.

Mas tinham uma cana grossa e grande, onde Julieta fazia do lado do pé - que era o mais resistente - duas ranhuras, ou cortes cruzados, e em que depois metia uma larga rolha de cortiça que obrigava a cana a abrir até ao ponto desejado, e assim havia mais um utensílio de trabalho artesanal, para apanhar figos ou outra qualquer fruta.

Iam-se apanhando e colocando em camadas, protegendo-os de todos os lados e entre cada figo com parras da própria figueira, e tapando depois por cima com um bonito pano atado pelas pontas.

Todos estes alimentos eram transportados no autocarro para Santarém, nessa época era a agência do Vinagre, foi das primeiras firmas de transportes da cidade, e todas as pessoas lhe chamavam a carreira do Vinagre, que era a única ali a transitar.

Passava às sete da manhã e algum tempo antes já Julieta transportara todos os talegos, ou volumes, para a beira da estrada, muito cedo, ou na cabeça ou com uma espécie de carro de mão feito de madeira, o que era um peso acrescido para subir, esses mais de trezentos metros, sendo a melhor opção, porém, a de levar as coisas até à estrada carregadas na sua cabeça.

Quando chegava a carreira, vinda de Almoster, era só a partir da Ponte do Celeiro que havia este género de carga, para mal dos outros passageiros que, até ao fim da viagem, teriam de esperar que se fizessem aqueles carregamentos.

O cobrador saía da camioneta, mesmo que chovesse, trepava por uma escada pela retaguarda, a Julieta erguia os talegos, e ele puxava com um gancho, aconchegava e tapava tudo. Até as bicicletas os homens faziam carregar lá em cima na camioneta, para depois fazerem a etapa de regresso, e lá se seguia viagem.

Entretanto, Julieta já sentada, pagava o seu bilhete ao cobrador, e o referente a cada volume. No colo levava a sesta dos ovos, e o sonho de fazer uma boa venda, e regressar com o dinheiro para pagar as outras coisas que seriam precisas para a sobrevivência familiar.

Dalila tinha ficado em casa com a avó Joaquina, assim como suas irmãzinhas, e estavam ansiosas pela volta da mãe, mas sabiam que ela não se esquecia e trazia sempre um miminho, podia ser pouca coisa, o dinheiro era preciso para muito mais. Elas já eram quatro, mas Julieta sempre trazia duas pombinhas, eram cortadas ao meio, metade para cada, uma comia o lado do rabo, outra a cabeça, na próxima vez trocava-se, isto porque todas queriam a cabeça.

Era no Outono também que era tempo de uns figos brancos, pequeninos e muito gostosos, só havia uma figueira dessa qualidade na fazenda. Um dia a avó Joaquina resolvera ir visitar uma senhora amiga em Santarém, era a família Manhoso.

A avó apanhou então uma cestinha de figos brancos para levar à D.ª Aida, convidou Dalila para ir com ela na visita, e lá foram até Santarém. D.ª Aida ficou muito feliz quando viu aquela cestinha de figos, que Dalila também ajudou a comer.

A família Manhoso sempre tinha ajudado, e continuava a ajudar, dando trabalho a Deodato, durante cinco anos, nas obras do Forte de S. Julião, onde viviam, ao ponto de receberem Julieta e as filhas que, no Verão, iam lá passar algum tempo, para assim levar as pequenitas à praia.

Foi deste modo que Dalila e as irmãs tiveram os primeiros contactos com a praia, que viram o mar, e que gritavam cheias de medo de cada vez que Deodato as levava para dentro de água, quase à força, para as banhar devidamente, e fazer assim com que as feridas, que lhes apareciam na cabeça, secassem, sarassem com a ajuda da água salgada.

D.ª Aida e a família tinham a sua casa de Santarém, no mesmo local onde a avó Joaquina já havia morado, na entrada da cidade por S. Domingos, numa casa que fora do avô Zé e que tinham perdido por questões de justiça do avô, numa fase muito má da sua vida.

Autora Lídia Frade em A Fazenda onde veio a luz ao Mundo

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sábado, 15 de maio de 2010

5º CAPITULO A HORTA DA FAZENDA

5º CAPITULO

A HORTA

A horta começava por ali, uma peça de horta, como lhe chamava a família, que era apenas cerca de três metros de terreno em largura, e de comprimento indeterminado, sendo assim em socalcos dividida até chegar ao ponto mais baixo.

Entre cada socalco e no comprimento da peça, havia sempre latadas de videiras, harmoniosamente seguras umas nas outras com paus de oliveira espetados na vertical, com canas na horizontal, formando as latadas, e tudo isto e mais a poda e enxertia das videiras era feito pela Julieta, que tudo sabia fazer dentro daquela fazenda.

Dando início à horta havia uma nascente de água, principalmente porque, sem água, não poderia haver horta, e ali estava uma grande nascente que saía de uma mina tapada, noite e dia a jorrar uma corrente de água sem fim, na saída dessa nascente um tanque enorme, em profundidade e largura, e dali se regava metade da horta que era muito grande.

A água saía do tanque naturalmente apenas pela força da gravidade, depois de abrir uma das saídas do tanque na altura própria do terreno que se pretendia regar, havendo ainda outra maneira para fazer a rega, a alguma peça de horta que ficava mais alta.

Essa outra forma era a de retirar do tanque a braços, com um cabaço, em ritmo constante, e colocar no inicio da regadeira - numa espécie de calha - fazendo correr assim um caudal certo e, com a ajuda de outra pessoa, fazer a distribuição da água por cada canteiro, e assim se regavam essas peças.

Muitas eram as árvores de toda a variedade de fruta que estavam distribuídas por toda a horta, ameixas de muitas espécies, pessegueiros, damasqueiros, pereiras, figueiras, nespereiras, marmeleiros e, bem perto do tanque, havia uma nespereira muito grande, era das árvores maiores da fazenda, competia com as oliveiras ou figueiras maiores.

Quando estava toda florida em cachos era lindíssima. Certa vez casou uma vizinha e Dalila incentivada pela mãe foi apanhar flores da nespereira para atirar à noiva, eram tão branquinhas, bonitas para uma noiva. Esta é apenas uma lembrança curiosa de criança.

Mas muito mais interessante era subir todas estas árvores quando os frutos estavam maduros, e comê-los ali mesmo no cimo de cada tranca, de cada galho ou de cada ramo, que são apenas vários termos, para descrever o mesmo prazer, de muitas recordações:

RECORDAÇÕES

Recordo os pássaros
Chilreando nos salgueiros
E o vibrante cantar das rãs
Na corrente lenta dos regueiros.
E chapinhar descalça, livremente
Na água límpida da rega
Que corria docemente.
Recordo…
A música suave, tocada pelas brisas
Na folha das caneiras
E o brincar às casinhas
Sob a grande copa das nespereiras.
Recordo ainda, quando subia a cada árvore
Ofegante de ansiedade
Escalando o ramo mais alto
Sentir total liberdade.
Apanhar a fruta fresca,
Que mais me fosse de agrado
Comê-la ali, reluzente e sumarenta,
Que prazer, só hoje valorizado.

Já no terreno plano, que era o mais difícil de cultivar e ficava encharcado até muito tarde, havia uma ribeira a meio por onde passavam todas as águas que vinham de alguns quilómetros em redor, mas tudo era mesmo assim cultivado.

Peças de feijão verde, trepavam pelas canas, cortadas das caneiras que abundavam na fazenda no tempo certo para o seu corte, canas limpas e atadas em molhos, e as mais grossas eram até cortadas em duas alturas e serviam para colocar nas latadas das uvas ou nas vinhas, em ajuda de suporte para o equilíbrio da cepa e do peso dos frutos.

Por sua vez as mais finas eram para aplicar então nos canteiros de feijão, aí colocadas habilmente pela Julieta, uma verdadeira agricultora conhecedora dos seus recursos e incansável no trabalho.
Nesses canteiros de feijão verde trepadiço, ele estava pois disposto e agarrado em rocas, como Julieta lhe chamava, que nada mais eram do que seis canas espetadas na terra frente a frente e à distancia dos pés de feijão, e atadas com juncas, todas unidas acima da altura média de uma pessoa.

Chegava o Outono e era a altura de cavar as peças para plantar as couves, iam-se arrancando as culturas de Primavera e Verão já em fim de vida, e logo Julieta preparava o mesmo terreno para a plantação de couve portuguesa ou de sete semanas, coração de boi, lombardas, e até as couves altas que eram plantadas nos combros à volta das peças.

Essas couves normalmente criavam-se com outra finalidade que não a de corte: deixava-se crescer à vontade, e quando não havia outras serviam para retirar folhas para a criação, e ainda para se deixarem grelar e depois cortar os grelos para comer ou vender antes de florirem.

Ainda havia outra coisa que a Julieta fazia: algumas couves que se deixavam ir florescer, após as flores davam lugar às sementes que, cresciam, amadureciam e, quando começavam a secar, Julieta enfiava uma saca em torno do grande ramo de sementes, evitando assim que as vagens ao abrir, de tanto estarem secas do sol, começassem a tombar na terra.

Eram sementes muito fininhas, bolinhas mínimas, que era preciso guardar para fazer as sementeiras do próximo ano, e assim era feito com todas as qualidades, para criar sempre novas sementes. Assim se fazia igualmente com as outras culturas, secavam-se de todos os cereais, feijão, grão-de-bico, chícharos, favas, ervilhas, etc.

Todas estas coisas criadas nesta fazenda, serviam para a alimentação familiar, mas não só, Julieta ia vender à praça de Santarém, tinha dias certos para tal, os dias em que ela sabia serem de melhor venda. Levava as couves limpas dentro de sacas de linhagem, o feijão verde também, as frutas em cestas de verga ou feitas de canas, sacos de batatas, ou até galinhas dentro de cestos, com os pés atados, e cobertas com um pano atado nas pontas, duas a duas.

Até as cestas vinham da fazenda, pois havia algumas árvores de vime no ribeiro. Esse vime era oferecido a um homem que costumava ir cortá-lo e que, depois, por sua vez, oferecia sempre um cesto menor ou maior, conforme a quantidade que teria apanhado. Mas não era o único.

Autora Lídia Frade em a Fazenda onde veio a luz ao Mundo 

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sábado, 8 de maio de 2010

4º CAPITULO A CRIAÇÃO NA FAZENDA

4º CAPITULO


A CRIAÇÃO

Ao lado virado já para a horta, e descendo mais um pouco, ficavam os palheiros do gado, um das ovelhas, e havia várias, e entre elas um carneiro de cobrição.
Era uma garantia familiar, um mealheiro, como a avó lhe chamava: quando havia uma aflição de dinheiro, vendia-se uma ovelha, um carneiro, ou simplesmente as crias, tal como os porcos que se criavam em casa. Se o dinheiro fazia mais falta vendia-se o porco e não havia matança.

Deodato, marido de Julieta, pai de Dalila, gostava muito de comprar porcos ruivos para criar, era uma raça do Alentejo e que deve ser a mesma raça, praticamente, do actual porco preto Alentejano.
Para criar a parir, a escolha já era de recos brancos ou alguns malhadinhos, dependia dos cruzamentos dos pais. Quando chegava a hora das porcas parirem Julieta ia dormir para dentro da pocilga, devidamente limpa e arranjada, esperando a hora do nascimento, para que a porca não matasse alguma cria ao deitar-se.

Uma história se passou num dia, relacionada com os porcos: Julieta criou uma ninhada de porcos desde o nascimento, até quando já estavam perto dos dois ou três meses, e se vendiam. Deodato, que por sua vez é que os vendia, resolveu vender ou doar um desses animais a uma sua amiga mais íntima, que vivia lá na terra.

Mas certo dia alguém foi avisar Julieta que a dita senhora estaria a fazer a sua mudança de morada, para a terra vizinha da Povoa da Isenta, e com ela levaria de certo o tal porquinho que Deodato supostamente lhe teria vendido mas que ela nunca tinha pago.
Coitado do porquito, já estava crescidinho!... mas tinha de fazer a caminhada a pé para a nova casa, não havia transporte para o levar, tinha de ir acompanhado pela dita dona a andar quatro quilómetros. Julieta fora informada de que ela ia com o porco a pé, meteu-se estrada fora e foi sair-lhe ao caminho.

Sem outra intenção que não fosse receber o seu dinheiro referente ao porco, que nunca havia sido pago, ou então o porco só sairia dali com a Julieta - dinheiro não havia, apenas a razão e o direito que as duas reclamavam.
Sendo assim, passaram a agir, no meio de insultos, agressões, puxões de cabelos, até se descabelarem todas, mas o porco ficou, voltou para a posse de Julieta, e quando Deodato teve conhecimento do caso só se ria, pelo caricato das cenas contadas e com todo o seu ar de gozo.

Voltando à casa, aos anexos, atentemos agora nos palheiros que eram do macho, e dos burros… Deodato gostava muito de burros, e comprava alguns grandes, que Julieta detestava, dizia ela que eram espanhóis, eram grandes, com força, mas não tinham genica nenhuma, eram moles no trabalho, nada parecidos com os de raça portuguesa, que eram pequenos mas com despacho.

Do lado de trás da casa eram as capoeiras. Todos os palheiros e capoeiras eram construídos em adobes, que eram feitos de terra cavada, amassada com água e alguma palha para poder fazer melhor a ligação e não se desmanchar tão facilmente, pois não eram cozidos.

Havia um espaço bem chegado aos palheiros onde Julieta preparava os seus adobes, depois da terra cavada acarretava baldes de água do tanque, despejava lá para dentro, até amolecer a terra, e depois saltavam lá para dentro, amassavam com os pés, como se pisassem uvas.

Na medida em que a terra ficava bem envolvida com a água Julieta ia-lhes juntando um pouco de fenos, depois de bem envolvida eram cheias uma espécie de formas, também elas preparadas por Julieta e feitas de pedaços de madeira.
Cheias as formas eram deixadas ao sol a secar, só depois, desenformados e bem secos os conteúdos, com eles Julieta fazias as capoeiras e remendava os palheiros. Este era um trabalho que Dalila gostava de ajudar, principalmente o de pisar a lama.

As galinhas, galos, patos, e perus, todas estas aves, assim como todo o outro gado, eram apenas criados com tudo o que existia na fazenda.
Desde fruta a hortaliças, cereais, palhas, tudo mesmo, só uma coisa a Julieta comprava na loja, era as sêmeas ou farelos que poderiam juntar na palhada. Esta obviamente era feita de palha e sêmea, para o gado de quatro patas, quando era altura de escassear todo o resto. Ou ainda quando uma fêmea paria e tinha de amamentar, por vezes teria assim um tratamento especial. Sêmeas ainda para as aves comerem, amassadas com couves migadas.

Havia uma qualidade de sêmeas feitas de farinha de alfarroba, Dalila adorava que a mãe comprasse daquelas sêmeas, ela ia escolher os pedacinhos de alfarroba mais grossos para comer, era doce e gostosa e, ela gostava muito do seu sabor.
Aos pintainhos quando nasciam e ainda não sabiam comer, Julieta comprava-lhes arroz mais barato para eles comerem, depois iam-se habituando pouco a pouco à comida dos grandes, depenicando aqui e ali.

Os patinhos acabados de nascer comiam sêmeas amassadas, depois iam comendo desde alguma fruta muito madura, até caracóis esmagados, que eles adoravam, isto enquanto eram pequenos.
Já para os perus era comida diferente, quando nasciam coziam-se verduras e misturava-se farinha de milho, fazia-se uma bola com essa mistura, e eles vinham comer à mão depenicando essa bola, até encher o papo, e era um trabalho que Dalila adorava fazer, sentir os biquinhos a depenicar e comer na sua mão.

Depois todas essas aves eram também transformadas em dinheiro, tal como os ovos, quando chegavam as necessidades.

Na frente de toda a casa havia um jardim que Julieta, ajudada pelas filhas, e até a avó Joaquina, faziam e cuidavam muito bem.
Era aí que muitos malmequeres brancos, grandes, lindos, caíam como que em cascata pelos valados e preenchiam todas aquelas inclinações de terrenos, era lindíssimo esse jardim. Rosas, cravos, lírios e outras flores, todos os dias eram regadas, com regadores ou baldes, pois Julieta encarregava as filhas de regar ao fim do dia, quando já tinham idade para aguentarem com as vasilhas da água.

Logo ao descer a caminho da horta havia uma árvore que Dalila adorava, mas nem era uma árvore de fruta, nada disso, dava fruto mas não para comer, só a avó Joaquina sabia para que eram bons, e ela fazia chá das flores secas, e até das bagas.

Era um grande sabugueiro, uma árvore bonita, redonda, sempre podada, desde as suas flores lindíssimas, branquinhas, e quando Dalila lhes pegava nos pés e as virava, pareciam umas sombrinhas de senhora feitas de renda.
Depois as flores iam caindo, dando lugar ao aparecimento dos frutos, nasciam e logo iam ficando vermelhos e, pouco a pouco, cada vez mais escuros, até parecerem pretos, totalmente maduros, isto era um ciclo inesquecível para Dalila. Tal como está descrito, num poema que lhe foi dedicado.
Esse poema está colocado na entrada anterior, sobre o sabugueiro.


O MEU SABUGUEIRO

Meu companheiro
De flores mimosas
Chapéu de aguaceiro
Mais belo que rosas.
De branco vestido
A tua ramada
Belo véu de noiva
De cauda bordada.
Quando já maduros
Que teus frutos criaste
Contas de rosário
Que a Deus enviaste.
De negro vestido
Em luto tão puro
O meu sabugueiro
De fruto maduro.
Amigo de outrora
Quando era criança
Perpetuo agora
A tua lembrança.



LÍDIA FRADE
em a Fazenda onde veio a luz ao Mundo

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

AS RAINHAS EM TEMPO DE ROSAS

AS ROSAS Não há, decerto um jardim Que rosas não tenha, plantadas Podem ser de muitas cores, Com perfume, bem cuidadas. Cortando aqui, ou ali Enfeita-se toda a casa, O jardim fica repleto A casa toda enfeitada. Quem não se sente feliz? Ao receber uma rosa! E se quem oferece, puder, Um grande ramo oferecer! As branquinhas da pureza, As vermelhas de paixão! Mas que importa aqui a cor? O que interessa é a intenção. Se a oferta for de amor! Basta apenas um botão!

AS RAINHAS, EM TEMPO DE ROSAS





quarta-feira, 5 de maio de 2010

O MEU SABUGUEIRO






O MEU SABUGUEIRO


Meu companheiro
De flores mimosas
Chapéu de aguaceiro
Mais belo que rosas


De branco vestida,
A tua ramada
Belo véu de noiva
De cauda bordada


Mas se já maduros
Teus frutos criaste
Contas de rosário
Que a Deus enviaste


De negro vestido
Em luto tão puro
O meu sabugueiro
De fruto maduro


Amigo de outrora
Quando era criança
Perpetuo agora.
A sua lembrança




UMA DAS PLANTAS DA MINHA AVÓ




Era pois das plantas que ela tinha sempre o cuidado de preparar para os chás de família, tinha um grande sabugueiro mesmo junto da casa, colhia primeiro as suas flores cuidadosamente secas para guardar, dentro dos seus saquinhos de retalhos, depois mais tarde, quando das bagas já maduras eram também apanhadas e postas a secar após do que se guardava.




O chá deve ser feito com, um litro de água, com duas a cinco colheres de flores secas, é depurativo para a limpeza de todo o organismo.
Esta receita que se segue foi retirada do endereço mencionado.






http://bagasabugueiro.blogspot.com/2006/09/algumas-receitas.html

Bebida de Flores de Sabugueiro:





2 L de água500 g de açúcar.Sumo e raspa de um limãoFerva a água com o açúcar, deixe esfriar, coloque o sumo e as raspas de limão e as flores de sabugueiro.Deixe descansar por 24 h, coberto com um pano de linho ou algodão.Coloque em um vidro de 3 l de boca larga, ou um recipiente que possa ser hermeticamente fechado.Acrescente 1 l de vinho branco ou cidra e deixe descansar por duas semanas.Essa bebida mágica pode ser servida como suco, e inclusive misturada com frutas e água.