segunda-feira, 9 de julho de 2012

A VACINA DO LUÍS




A VACINA

Era Março, quase a chegar a Pascoa que nesse ano era muito cedo, já que se vinha de um carnaval muito precoce ou seja quase no início de Fevereiro, e sendo assim a Pascoa seria quarenta dias depois.

Margarida tinha sido mãe do seu terceiro filho o Romeu, havia poucos dias, Luís o mais velho, já tinha dez anos, pelo meio tinha nascido uma menina a Constança, que, tinha feito dois aninhos precisamente um mês atrás.

Margarida tinha de levar o Romeu ao Posto Medico para fazer a sua primeira vacina, sendo assim verificou o livro de saúde dos mais velhos para se certificar de que estariam em ordem, detectou no entanto que, também não estavam completas, e resolveu levar os três, para fazerem as actualizações necessárias.

Primeiro foi o recém-nascido o Romeu, como não tinha ainda consciência do que era levar uma vacina, não fazia ainda reclamações, e assim foi colocado meio envolto nos seus agasalhos, ageitadinho para levar a pica, sem grande manifestação.

Seguidamente seria Luís, seria!... E queria a mãe que ele levasse a vacina que lhe faltava, mas o Luís era uma criança um pouco difícil de se convencer, para não dizer muito, e ele com dez anos já sabia que a pica doía um pouco, mas ali estava mais patente a teimosia do que o medo, pois já tinha saído de casa a reclamar, e contrariado, porque não queria levar vacina.

Bom mas chegada a hora, a mãe obrigou-o a entrar no gabinete, agarrou-o, a enfermeira preparou a vacina, mas quando ia para espetar a dita agulhita, ele atirou-se ao chão, esperneou, pontapeou, berrou, foi o rececionista ajudar, fingiu-se desmaiado, a enfermeira pensou que o caso era a serio foi chamar o médico.

Foi ai que ele viu que a coisa estava séria, não conseguia enganar o médico, pensou e agiu, quando resolver levantar-se e sair do gabinete, mostrando-se ainda vencedor, por ter enganado todos,  sem no entanto ter levado a vacina.

Com estas cenas todas, a mãe ficou envergonhada, pediu desculpas e desistiu, era isso que ele esperava que a mãe fizesse, desistisse pela saturação e aconteceu, mas com a sentença, de que viria o pai com ele.
Margarida regressou a casa com os filhos, contou ao marido, o que Luís tinha feito, e a vergonha que a tinha feito passar, o pai pega no carro fez-se acompanhar de novo por ele e voltam ao Centro Medico.

Claro que ainda tentou fazer birrinha e envergonhar o pai, que rapidamente resolveu o assunto, Luís levou mesmo a vacina, e mais, o pai fê-lo pedir desculpas às pessoas por se ter portado mal, e tentar engana-los a todos, então não lhe tendo o pai deixado outra opção, ele pediu desculpas.

Margarida logo que falou com a mãe, contou-lhe o que Luís tinha feito, ainda estava envergonhada.
A avó de Luís, depois de ter falado com a filha, e ter ficado admirada da sua ousadia teatralizada, de repente lembrou-se.

De uma das últimas vezes que lá tinha estado em casa, tinha falado com Luís sobre as suas atividades de tempos livres, ou após escolares, onde tinham escrito uma peça teatral á sua escolha, em trabalhos de grupos, da qual ele tinha feito parte com mais dois ou três colegas, essa peça teria de ser representada por eles, o grupo que escreveu, e depois seria avaliada pelas professoras.

A peça que eles escreveram era sobre, um médico dentista, um paciente, e assistentes, ali mesmo em frente da avó, sentada com eles na sala, ele tinha representado dentro do possível, pois sozinho tinha de explicar, ou fazer parte das falas dos colegas, mas, a avó lembrava bem, o papel dele na peça, era o paciente.

Assim sendo, ele paciente, tinha medo das agulhas, e de todos os outros utensílios do médico dentista, com os outros assistentes a segura-lo, conseguiu escapar-se da cadeira, escorregou para o chão, os outros tentavam agarra-lo, ele debatia-se, gritava, rebolava-se no chão, criando uma cena de recusa e cansaço até á desistência.

Assim dito por ele, Luís, ganharam o primeiro lugar na representação desse trabalho de grupo, graças á representação dele.

Ai estava e explicação, os pais não sabiam, mas ele tinha representado, ali no Posto Medico, a sua personagem, a sua peça teatral, para ver como funcionava ao natural de verdade, mas, apesar da sua belíssima representação, onde até conseguiu simular um desmaio, só conseguiu deixar os pais envergonhados, e teve de lavar mesmo, a sua vacina!!!

Lídia Frade

10 comentários:

manuel marques Arroz disse...

Excelente texto.

Beijo.

Arnoldo Pimentel disse...

Muito bom e original o texto, parabéns.Beijos.

Lídia disse...

OBRIGADO MARQUES PELA SUA LEITURA!!!

PELA SUA OPINIÃO COMENTADA!!!

1 BEIJO LÍDIA

Lídia disse...

PIMENTEL AGRADEÇO SUA LEITURA!!!

OBRIGADO PELO COMENTÁRIO APRECIATIVO!!!

1 BEIJO LÍDIA

Zilani Célia disse...

OI LÍDIA!
GOSTEI DE TEU TEXTO, BEM OU MAL, AI NASCE UM ATOR...
ABRÇS
zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI

MARIA DA FONTE disse...

Lindo texto. É verdade, assim nasce um ator. Gostei muito de o ler.
beijinhos

Lídia disse...

olá bom dia Zelani!!!
Obrigado pela visita e leitura atenta e comentada!!!

é um grande prazer escrever algo de que, amigos ou não gostem, para quem gosta de escrever é simplesmente alegria!!!

Bom Fim de Semana!!!

1 beijinho Lídia

Lídia disse...

MARIA MINHA AMIGA!!!
QUE ALEGRIA VER A SUA VISITA COMENTADA!!!

NA VERDADE TUDO PODE COMEÇAR POR AQUI!!!
1 BEIJINHO E BOM FIM DE SEMANA!!!

LÍDIA

MARIA DA FONTE disse...

Adorei o texto. beijinhos

Lídia disse...

BEIJINHOS MARIA!!!
OBRIGADO PELA LEITURA!!!

LÍDIA