sexta-feira, 30 de abril de 2010

3º CAPITULO A CASA DA FAMILIA NA FAZENDA

3º CAPITULO
O MESMO LOCAL.... UMA NOVA ENTRADA EMBELEZADA, NO LOCAL DA AGORA VIVENDA DE DOIS PISOS, ERA.... A CASA DA FAMÍLIA!!! 


A CASA DA FAMÍLIA

A casa da Fazenda ficava num sítio mais plano a meio da encosta, e a circundar a envolvência da casa já havia flores plantadas antes, o que criava uma envolvência bonita - eram roseiras, lírios, estrelas do meio-dia, e os malmequeres, que eram os grandes reis do jardim.

Plantados em plano mais alto, os malmequeres caíam em cachoeira de flores brancas pelo valado e, sendo em grande abundância, davam um enquadramento lindo para uma casa pobre, baixa, e sem atractivos, apenas com estes alegretes de flores por moldura.

Percorrendo por dentro a casa, via-se que era uma construção única embora dividida em duas. Na parte da avó Joaquina avultava uma cozinha muito grande, a toda a largura da casa, tinha uma chaminé enorme ao fundo, com uma fornalha na frente da boca do forno e um espaço para um banquito de cada lado, onde as netas se sentavam para se aquecerem no Inverno.
Ao lado da chaminé havia um poial para pôr a quarta da água, que servia para os gastos da cozinha.

O resto do mobiliário era uma louceira e uma grade, onde se compunham as louças para serviço, que eram poucas, e havia também dependurado um guarda-comidas. Era assim lhe chamavam, a um armário pequeno e quadrado, com uma rede mosquiteira à volta, e com uma porta fechada, para não entrarem gatos ou moscas – que abundavam – e como não havia frigoríficos era onde se guardavam os condutos.
Na cozinha fazia ainda parte da mobília uma mesa pequena, rectangular, e umas três ou quatro cadeiras, e ainda esses banquitos toscos onde as netas se sentavam.

Contava-se ainda um quarto que era do avô Zé Franquinho e onde a avó só entrava para fazer a cama, depois a casa da costura, onde estava a cama da avó e a sua máquina de costurar, para além de uma mesa onde ela cortava as costuras, e uma arca pequena onde guardava as roupas.
A avó trabalhava de costura para as clientes da terra, que ali mandavam fazer roupa nova ou ainda arranjos, como pôr meias-costas nas camisas, ou os colarinhos - era o que se rompia mais - ou ainda as meias folhas dianteiras nas calças, assim como as bainhas e ainda os fundilhos, tudo isso se fazia para gastar menos dinheiro nos tecidos.

Era aí que a avó trabalhava, que comia, quase sempre em cima da máquina de costura, ou até, na hora da sesta, lá deitava ela a cabeça para descansar.
Na cama à noite, a avó Joaquina dormia quase sempre com uma das netas, o quarto principal era só do avô, e Dalila nunca se lembra de que os avós dormissem juntos.

As casas da avó eram de terra batida, e quando faziam limpeza também lavava o chão de terra, com água e um barro vermelho desfeito, para lhes dar outra cor, ou ainda com um pó vermelho a que chamavam almagra, se havia dinheiro para o comprar.

Já a casa de Julieta, com outra porta de entrada e que ficava logo ao lado, era um pouco diferente: o quarto e a sala já eram de cimento e os tectos eram forrados a madeira.
Existia uma sala de jantar, onde nunca ninguém jantava, com uma mesa e cadeiras, mais dois aparadores. Colocada na mesa havia uma toalha, e naperons jaziam nos aparadores, naperons cremes e todos bordados, com cestas de flores, alegres, de todas as cores, que Dalila adorava, e que tinha a mãe bordado para o seu enxoval.

O quarto de casal, com uma cama cómoda e mesa-de-cabeceira, tudo estava aí mobilado com as mobílias que os pais dela lhe tinham dado aquando do casamento.
Ao descer dois degraus era outro quarto, o da pequenada, tinha apenas uma cama de ferro grande com uma trancinha e um florão, tudo pintado de verde, e um colchão feito pela mãe, e cheio de ‘ex-camisas’ (invólucros de maçarocas) de milho, desfiadas - como se dizia na terra.

Esta palha que enchia os colchões era então as ‘ex-camisas’ desfiadas, apenas a palha que envolvia as espigas de milho, que uma vez retiradas e secas eram rasgadas em tiras, e enchia-se assim os colchões, as cabeceiras e travesseiros, isto se a lã das ovelhas não chegava para os travesseiros.

Nestes colchões podia-se modelar o sitio onde se deitavam, o enchimento era fofo e faziam uma cova no meio, ou onde se deitavam, e normalmente Julieta fazia essa inclinação para o meio, evitando assim que as filhas ao se voltarem resvalassem e caíssem ao chão, o que por vezes acontecia.

Depois para que não se destapassem pregava os cobertores com alfinetes de dama nas noites frias de Inverno em que fazia muito frio.
Existia ainda um lagar onde se fazia o vinho, havendo aí uma chaminé e uma mesa de cozinha que só servia quando Julieta não fazia o comer junto com a mãe, o que acontecia poucas vezes.
Era nesse lagar que se fazia o vinho todo que se criava na vinha, ou só uma parte – ali para a casa - se o pai vendia o resto das uvas, ou as transportava para Atalaia e fazia lá o vinho, noutra adega da família que era dos avós paterno.

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPITULO

AUTORA LÍDIA FRADE

APRESENTAÇÃO DOS LIVROS, A FAZENDA ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO, E AMOR ETERNO DE LÍDIA FRADE





quarta-feira, 28 de abril de 2010

APRESENTAÇÃO DOS LIVROS, A FAZENDA ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO, E AMOR ETERNO DE LÍDIA FRADE

Integrado no aniversário da Sociedade Recreativa Atalaiense, em Atalaia, Almoster Santarém


Mais uma apresentação na Sociedade Recreativa Atalaiense, dos livros de Lídia Frade, " A Fazenda Onde Veio a Luz ao Mundo," um livro de prosa, ou pequeno romance, com uma história centrada nos anos 50 a 70, retratando essa época, com saberes, usos, costumes, e viveres, com 140 paginas, onde ao lerem, uns podem relembrar vivências, outros aprende-las, ou até recria-las, porque um livro pode ser um guia cultural.
O outro livro, " Amor Eterno, Interregno e Silêncio" poesia, emoções, ou simplesmente criatividade traduzida, em palavras poeticamente, e livremente colocadas, linguagem simples, intendivel para todos.
Para engrandecer toda uma tarde cultural, estava presente ainda uma exposição de pintura da mesma autora, a actuação da Escola de Danças Paroquial do Vale de Santarém, assim como a actuação do Rancho Folclórico Atalaiense fazendo as honras da casa.

sábado, 24 de abril de 2010

2º CAPITULO O AVÔ DIONÍSIO

2º CAPITULO




O AVÔ DIONÍSIO

O avô trazia sempre um cartucho feito de papel pardo enrolado em bico, com alguns rebuçados para lhe dar, e então Dalila corria até à estrada, para dar um beijo ao avô e ir buscar os rebuçados, para dividir entre ela e a Amália.

Numa manhã cedo a avó Gertrudes tinha vindo da Atalaia estrada abaixo, no caminho de Santarém. O avô Dionísio tinha saído no dia anterior e não voltou para casa, a avó chamou lá da estrada pela Julieta, perguntou se o tinham visto, mas a resposta foi negativa.

E pouco depois chegou a notícia terrível, o avô Dionísio tinha aparecido morto, caído com a bicicleta na ribanceira, toda a aflição da família irrompe, tudo a correr para o local, mas a avó Joaquina não foi.

Primeiro tinha de tomar conta das netas, depois, só foi após fazer uma roupa de luto para Dalila, ela era a mais velha, parecia mal não lhe vestir uma roupa escura.
Como não tinha mais nada, foi fazer um vestido cinzento de riscado, do que utilizava para fazer os forros das calças, ou dos coletes, aos seus clientes, coitadinha de Dalila, enfiada num vestido pardo e feio.

Foi assim o seu primeiro luto, um vestido que ela lembra, feio e pardo, com quatro buracos, um para a cabeça, dois para os braços e o ultimo de onde saiam as suas pequenitas pernas, e tudo isto porque parecia mal não vestir luto, um significado que ela ainda não conhecia.
A seguir foi mandada com a irmã Amália, para casa do tio Isidro, para as primas tomarem conta delas, enquanto duraram os preparativos do funeral, do velório e enterro.

Após isso, Dalila só tinha falado do assunto quando ia a Santarém com a mãe, na camioneta, ela disse-lhe onde tinha acontecido e que nunca ninguém sabia porque tinha acontecido, talvez lhe tivesse dado alguma coisa de repente, ou talvez fosse da sua falta de vista, que era já em grande grau.

O avô Dionísio usava óculos muito grossos, ficava tudo por aí, aconteceu simplesmente, e ficaram só as lembranças de criança desse acontecimento.
Foi também por essa época que Dalila foi baptizada. Os seus padrinhos foram os seus tios, um irmão mais velho de seu pai, até lhe tinham colocado o nome da madrinha, quando nasceu.

O baptizado foi no Convento de Santa Maria de Almoster, a madrinha ofereceu-lhe um lindíssimo vestido branco, cheio de folhinhos, com grande laço atado atrás, na cintura, soquetes brancos, sapatos de verniz, estava linda, Dalila no dia do seu baptizado parecia uma bonequinha, e já muito vaidosa.

CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO

segunda-feira, 19 de abril de 2010

1º CAPITULO DE A FAZENDA ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO

1º CAPITULO



PERSONAGENS

AVÔ-------------- ZÉ FRANQUINHO
AVÓ--------------JOAQUINA
PAI----------------DEODATO
MÃE-------------JULIETA
1ª FILHA--------DALILA
2ª FILHA--------AMÁLIA
3ªFILHA---------LISETE
4ªFILHA--------GRACIETE
PARTEIRA------MARIA ALBANA
PRIMO………..ALBERTO
PRIMA…………CLARISSE
MADRINHA…..LAURA
PADRINHO…..ROGÉRIO
FILHO…………RAUL
EMPREGADA…ALDA

A FAZENDA, ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO

Era aquela a fazenda, ONDE VEIO A LUZ AO MUNDO, era linda, e Dalila tinha um grande orgulho de ter ali nascido, não era de terrenos planos, antes pelo contrário, mas parecia um livro que se abria, ilustrado pelo maior dos artistas.

Ali em Ponte do Celeiro, nome atribuído por na entrada da povoação haver uma ponte sobre a vala de Asseca, ali de passagem para a Ponte da Asseca.
Junto da mesma ponte havia uns celeiros para guardar os cereais cultivados ali pelos pauis circundantes, e assim nascia a Ponte do Celeiro entre vales e montes, salgueiros e caneiras, pinheiros carrascos e aroeiras, casas ou casais dispersos.

Para Dalila aquele era, e será sempre, um lugar de eleição dentro do seu coração, por tudo o que lá viveu, com pessoas que muito amou e ama, porque lá cresceu, e aprendeu a amar cada pedaço daquela fazenda, e era realmente um paraíso terreno, que guardou para sempre no seu coração.

A FAMILIA
Era a fazenda do bisavô Luís Môco, que Dalila não conheceu e que, ali na época, era já do Isidro do Luís Môco, seu tio-avô, que vivia em metade com a sua família, e da avó Joaquina do Luís Môco, mãe de Julieta que ali vivia também, e onde fez continuidade da sua família.

Contudo apesar de a fazenda ser herança da avó Joaquina, Dalila sempre ligou mais o local à figura do avô Zé Franquinho, avô materno, não por alguma vez o ver trabalhar na fazenda. Ele era até uma pessoa frágil e tinha contraído alguns anos atrás a doença da tuberculose, esteve num sanatório em tratamento, mas na época a cura era difícil, e a doença dominava sempre o percurso de vida.

Para além desse facto e porque era uma figura que sempre impressionou Dalila ao longo dos anos, pela sua postura, elegância, sempre impecavelmente vestido, diferente dos outros homens, sem ser com roupa de cotim, como normalmente andavam vestidos todos os trabalhadores da aldeia, era o avô que melhor conheceu, o seu avô Zé.

Depois a avó Joaquina, pegou logo ao colo Dalila assim que veio ao mundo, que lhe ouviu os primeiros gritos, o primeiro choro de luta pela sobrevivência, forçados como ela lhe contava, foi a primeira neta, e a primeira filha, e a primeira menina na família, já havia dois rapazes primos e já bem crescidos, filhos da sua tia Ermelinda.

Era muito normal as crianças nascerem em casa na época, mas o parto foi muito difícil, a parteira da terra, a Sr. Maria Albana estava a ver que não conseguia dar conta do recado, depois de muitas horas de sofrimento para Julieta e filha, a família já queria leva-la para o hospital, para Santarém, mas nessa altura, já a parteira disse que não se responsabilizava pela mudança, e sendo assim deixaram tudo na mesma, correndo todos os riscos, e Dalila nasceu em casa, resistiram as duas, sendo que já nem conseguia chorar, dar o seu grito de Ipiranga.

A parteira aflita pediu uma bacia de água quente, outra de água fria, e foi assim mergulhada em sequência, que Dalila não gostou, destas diferenças, e reagiu, gritou, chorou. Então, já mais descansadas com a reacção, a parteira foi tratar de Julieta, que estava pronta e sem mais resistências, e a avó Joaquina foi cuidar da sua querida netinha.

Assim provavam mãe e filha que são grandes mulheres para a luta, mulheres de fibra, capazes de enfrentar todos os desafios, desde o dia do nascimento, porque assim nasceu Dalila, ali ela viu a luz do Mundo, com o mínimo de rudimentares apoios.

Engraçado era que, na aldeia, havia o hábito e costume de as crianças chamarem madrinhas às parteiras, ou curiosas, que as aparavam na nascença, mas no entanto Dalila cortou com esse hábito, ou com essas regras, desde que entendeu, e sabia que tinha uma madrinha, e nunca quis chamar madrinha à Sr. Maria Albana.

Foi aqui no seio desta família, e nesta fazenda do avô Zé Franquinho e da avó Joaquina, que Dalila despontou para Mundo. Saberia porém passados alguns anos que tinha outro avô, o avô Dionísio.

Tinha ela cinco anos quando ele apareceu morto no caminho das Fontaínhas, perto da Quinta do Ramalho, e as lembranças mais nítidas que tinha dele era de o ver encostado na bicicleta, na estrada lá em cima, chamando a sua menina, quando vinha de Santarém.

CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO

terça-feira, 6 de abril de 2010