terça-feira, 8 de julho de 2008

O MEU SABUGUEIRO



O meu companheiro, de flores mimosas
Chapéu de águaceiro, mais belo que rosas.

De branco vestido, na sua ramada
Belo véu de noiva, de cauda bordada.

Quando já maduros, teus frutos crias-te
Contas de rosário, que a Deus envias-te.

De negro vestido, em luto tão puro
O meu sabugueiro, de fruto maduro.

Amigo de outrora, quando era criança
Perpétu-o agora, a sua lembrança.


Esta àrvore fazia parte da fazenda onde nasci e fui criada, na beira de um caminho que descia para a horta, lindissima na minha recordação de menina.

sábado, 3 de maio de 2008

POR TI, MÃE, DO LIVRO UMA PEDRA NO CHARCO



Aprendi a respirar, fora de ti
Aprendi a ser menina, retraida
Aprendi a ser mulher, antes do tempo
Aprendi a respeitar, teu sofrimento
A lutar a teu lado, descontraida
Ser filha e amiga, ao mesmo tempo.

Ajudando e dando força, eu aprendi
Em nossa luta dia a dia, eu descubri
Fonte de orgulho só para ti, eu queria ser
Braço de apoio sempre a teu lado, no acontecer.

Para ti ó mãe
Eu fui a primeira, nos teus cuidados
e nos teus braços
Eu fui também quem escutou
teus desabafos.
Por ti ó mãe
eu sou a mãe que orgulhosa,
segue os teus passos.

A autora Lídia Frade de UMA PEDRA NO CHARCO Refúgio

sexta-feira, 2 de maio de 2008

BORBOLETA MULTICOR

BORBOLETA MULTICO                                                                                   

Quem és tu, o borboleta
Que saltitas sem parar
Pousas-te perto de mim
Ficando eu logo a pensar                                                         
Será alma de alguem meu
Ou anjo da guarda, a velar
por mim neste dia incerto
De angustia, olhando o mar.

Quem és tu, que vais fugindo,
voando, sem te avistar?
Lindas cores tens contrastando,
Com o azul escuro do mar.

Volta aqui, vem a meu lado,
quero ver tua mensagem,
Boas novas de alguém querido,
que se perdeu na viagem.

A autora Lídia Frade de UMA PEDRA NO CHARCO, Refugio



quinta-feira, 1 de maio de 2008

MAIO SENTIDO

MAIO SENTIDO


Maio de flores, Maio de espiga
de malva-rosa, ou de ortiga.

Maio de fruta,suculenta
colorida e sumarenta.

Maio do cucu, ou da formiga
da cigarra, e sua cantiga.

Maio do tojo, brilhando a monte
ou da agradável frescura, de uma fonte.

Maio de Mãe, ou de Maria
de quem luta pelo pão, de cada dia.

Maio de sol, e claridade
quando acabas, tu deixas ficar saudade.

Maio de vida, assim sentida
de quem olha, esta terra prometida.

A AUTORA LÍDIA FRADE

sexta-feira, 25 de abril de 2008

CRAVOS DE ABRIL, 34 ANOS PASSADOS


CRAVOS DE SANTARÉM


Santarém és um jardim
De cravos rubrus da vitória
De ti, nasceu a alegria
Escrita em páginas de história


Festejar, em alegria festegei
Com cantares em versos
Sem embaraços partecipei
Orgulhosa de tudo o que criei


A autora Lídia Frade

segunda-feira, 7 de abril de 2008

MALMEQUERES DE SANTARÉM


DESFOLHEI UM MALMEQUER
NO LINDO JARDIM DE SANTARÉM

Em tempos de simplicidade
Plantados até num valado
Sonhando, iam desfolhar
Para encontrar namorado

Hoje, são brancos ou amarelos,
rosados, já de tantas cores.
Dificil, encontrar neles
A definição de amores.

Vamos sempre, querer tê-los
Aos molhos, em ramos,
em braçadas.
Que bom é vê-los de perto
Em jardins sufisticados
ou espalhados pelos prados.

A autora Lídia Frade

sábado, 29 de março de 2008

AS FLORES DE SEMPRE NOIVA, PELOS 81 ANOS

OS RAMOS DE NOIVA DA MINHA MÃE ERAM DESTAS FLORES ANTIGAS...FLORES DE SEMPRE-NOIVAS!!!




De uma foto de noivos, eu guardo a lembrança.


Era do casamento dos meus pais, de Março de 1947, a noiva vestia um vestido de lã cor de papo de rola, com golas de guipur, e pensemâ na saia de tamanho médio, em favos de mel.
No braço levava dois ramos de sempre noivas, um para deixar de oferta a Nossa Senhora, o outro para a acompanhar de volta ao lar.
Na cabeça uma linda bandelete de flores de laranjeira confecionada em cera por uma artezã da época, assim prendia um pequeno véu.


Recordações da Lídia Frade

sexta-feira, 28 de março de 2008

DEFINIÇÃO


DEFINIÇÃO

Vou procurar as palavras
Que consigam definir!
Um quadro de ideias abestratas!
E numa busca incessante
Numa procura constante
Fui ás flores silvestres buscar
O seu perfume, a sua cor,
O seu brilho e o seu ar.

Fui colher as suas folhas,
As suas pétalas,
delas fiz uma efusão,
Extraí o seu perfume
Até fazer explosão.

E desta essência que tenho
Falta-me a definição.

Com esta mistura feita
Não saiu só o aroma.
Saiu assim liquido feito
Com cor sabor e expresão.

Com a cor eu escrevo
As palavras que faltavam
E pinto, com tons suaves
Ou de fogo,
Os espaços,
Preencho o vazio,
E o infinito,
E faço de toda esta matéria,
Doação
Entrego o seu valor ao Mundo
Cheia de esperança
De encontrar
A tal definição,
E a perfeição.

A autora Lídia Frade

segunda-feira, 10 de março de 2008

POETA E PINTOR




Poeta e Pintor                                   
Primeiro foi Deus
Criador de Luz
descida dos céus
Estrelas a brilhar
Em noites de breu
Luz do teu olhar
envolvendo o meu
Ar que respiramos
Perfume de flores
E pombas trazendo
mensagens de amor.

Poeta e Pintor
Primeiro foi Deus
Quedas de água pura
em brancura de véus
Formou o arco-íris
enviado em sinal
E a onda revolta
Com espuma de sal
Em lençol de neve
montanhas rochosas
Em jardim celeste
perfume de rosas.

A autora LÍDIA FRADE

quinta-feira, 6 de março de 2008

FLORES

















Flores são um ornamento
Ou uma dádiva de Deus
Tanto vão ao casamento
Ou levando alguém aos céus

Rosas, não são para esquecer
Rubras, brancas, amarelas
Milagre em pão, para comer
Rainha, das mais singelas

Do lírio branco, a pureza
Que é tão frágil, ao tocar
Da noiva toda a beleza
Quando vai para se casar

Do linho o azul celeste
Essa flor me faz lembrar
Santa que tal manto veste
olhando lá do altar.

A autora LÍDIA FRADE

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A MINHA BONECA





Aminha boneca
Que eu fiz de trapos,
Não ficou careca
Nem faltou sapatos.
Com braços de bunho
De pano cru, o corpo,
Filha do meu sonho
Ficou-lhe um pé torto.
Olhos de botão
Perlé na boca
Dei meu caração
A coisa tão pouca.
Fiz saia godés
E blusa de chita
Laços em viés
que bem, que lhe fica.
Suave lembrança
Boneca e princesa
Foi tempo de esperança
De menina, pobreza.

A autora LÍDIA FRADE

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

TUDO ISTO É RIBATEJO



SANTARÉM, PORTAS DO SOL, VISTA NORTE DO TEJO

                                                  
TUDO ISTO É RIBATEJO

Em manhã de primavera
Meu Ribatejo a florir,
És lindo jardim em festa
Que desperta o meu sentir.

Que quadro lindo sem par
Passeando à beira Tejo
Cavalos a galopar
Em liberdade que invejo.

Lezírias touros e fados
Nunca se vão separar
Cavaleiros e campinos
Forcados a acompanhar.

Com teu trage bem garrido
No teu vestir a rigor
Ao touro tu dás castigo
Ao cavaleiro o valor.

Ribatejo é valentia
Com calor de praça cheia
E vibra com mais alegria
Quando algum filho toureia.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

RECORDAÇÕES



RECORDAÇÕES

Recordo os pássaros
chilreando nos salgueiros
e o vibrante cantar das rãs
na corrente lenta dos rigueiros,
e chapinhar descalça, livremente
na água limpida da rega
que corria docemente.

Recordo

A musica suave, tocada pelas brisas
nas folas das caneiras
e o brincar às casinhas
sob a grande copa das nespereiras,

Recordo ainda,
quando subia a cada árvore
ofegante de ansiedade
escalando o ramo mais alto
e sentir total liberdade,

Apanhar a fruta fresca,
que mais me fosse de agrado
comê-la ali, reluzente e sumarenta.
Que prazer, só hoje valorizado.

A autora Lídia Frade

CAVADOR QUE ME DEU VIDA








CAVADOR QUE ME DEU VIDA   

Uma vida que passou
hoje é lembrada
por estas letras
que ele não sabia ler.
Elas são a homenagem
a uma geração passada
que me criou
e que eu amo a valer.
Ao sol ardente
puxando pela enxada,
faziam coro
numa cantada lenta.
O cavador
fazia a sua toada
cortava a terra
e a deixava desfeita,
pelas encostas
o seu eco se ouvia
na raiva surda
de uma vida tão amarga...
Vales profundos...
sua força se perdia
pelo pão da vida
e pelos seus que tanto amava.
O suor que lhe correu
secou seu rosto,
rugas profundas
na terra ele rasgou,
amor de filho
à mãe que, com tanto gosto..
À terra mãe
que na morte o embalou.

A Autora LÍDIA FRADE

Arte



Arte

Está na ponta de um pincel
que desliza sobre a tela,
ou no sentir, nosso e dele:

Óleo, carvão, aguarela,
no ponteiro e no martelo
de um pedreiro, ou de um escultor
ou no tornear singelo
do ferro, tudo tem o seu valor.

ARTE

São cores a misturar,
tintas, linhas, até flores,
sensibilidades a mostrar
trabalhos feitos de amor
no falar, ou no dizer
no cantar, ou no escrever

O importante é amar
Tudo o que se vai fazer.

Poema e Pintura de Lídia Frade

DE VESTIDO LARANJA


DE VESTIDO LARANJA

Era o fim de uma tarde
Naquele fim de verão
Daquelas que aquecem
A água da maré
Na hora da maré cheia

Um olhar perdido
Um andar ausente,
Mas um corpo presente
Caminhava descalço
Cabelos ao vento

Um andar incerto
Um corpo presente
Com a alma ausente
Entre os dois um deserto

Com lágrimas rolando

Turvando o olhar
que se confundiam
Com salpicos de mar
E o vestido laranja

Tocando nos pés
Um modelo atrevido
Colado, enrolado,
Molhado, nas marés,
Os seus pés, sobre um monte

O seu corpo presente
De olhar, andar,
E, alma ausente,
Seu olhar no horizonte
No infinito

No azul do céu
No azul do mar
Misturado
Mergulhado,

Ali, ficou rezando,
Pedindo, implorando,

A proteção
Aos Deuses do mar,
Á energia solar,
Mas só pedia força
Para continuar,


E, seu vestido laranja
Colado, enrolado, molhado,
Nesse dia a findar
Tinha a mesma côr,
Do sol,
A mergulhar.


A Autora LÍDIA FRADE

PASSAGEM


PASSAGEM

É um jogo ou um engano?
A vida que vamos vivendo,
É passagem, é viagem
É encontro, desencontro
É desejo ou ambição
É amor conjugação
E concretização!

Mas em tempo limitado
Porque somos doação

Ao MUNDO
Por um tempo demarcado.

A Autora LÍDIA FRADE

SABOR DE AMOR...NASCEU AQUI ESTE ESPAÇO....11-2-2008


SABOR DE AMOR

Uma laranja volumosa
redonda, polida,porosa,
podemos fazê-la saltar
de mão em mão,
de tão redonda que é,
podemos mesmo fazer
com que rebole no chão,
Mas...
minha laranja é mais que isso,
porque
é suculenta
sumarenta
tão gostosa
e tão bela
que ao abri-la
me faz lembrar uma rosa,
gomo a gomo, pétala a pétala,
é tão doce e perfumada
que me mantém
deliciosamente ocupada,
a descascá-la
a despi-la,
pelinha a pelinha,
a abri-la, como se fora uma flor
a inalar o seu odor,
a sugar, sugando seu sumo
como se sugasse de beijos
alguém por amor.

LÍDIA FRADE