domingo, 1 de maio de 2011

POR TI MÃE



POR TI MÃE


Aprendi a respirar fora de ti
Aprendi a ser menina retraída
Aprendi a ser mulher, antes do tempo
Aprendi a respeitar, teu sofrimento.

A lutar, a teu lado, descontraída
A ser filha e amiga, ao mesmo tempo.

Ajustando e dando força, eu aprendi.
E em nossa luta, dia a dia, eu descobri.
Fonte de orgulho, eu queria ser, tão só por ti.
Braço de apoio, sempre a teu lado, no acontecer.

POR TI, Ó MÃE

Que fui primeira, nos teus cuidados, e nos teus braços
Que fui também, quem te escutou os desabafos.

POR TI, Ó MÃE

Eu sou a mãe que orgulhosa segue os teus passos.

LÍDIA FRADE


sexta-feira, 29 de abril de 2011

OS BAILES!!!


CAPITULO 27º

OS BAILES
Chegado assim o Ano Novo, tudo era igual nas comemorações, mais fritos ou algumas broas, ou arroz doce - especialidade mais confeccionada, nas festas de famílias mais pobres - mas havia mais do que a juventude gostava, os bailaricos da passagem do ano.
Um grupo de rapazes juntava-se e faziam-se sócios para contratarem um acordeonista, ou, algumas vezes, um duo, o que implicava já uma responsabilidade acrescida, mais dinheiro e, por isso mesmo, uma maneira de exploração do recinto mais pensada.
Isso levava por vezes as raparigas, também, a contribuir da forma como podiam. Juntavam-se algumas em grupos e faziam bolos para oferecer. Eles faziam leilão dos bolos para ajudar o resultado final, todos se divertiam, e todos contribuíam para a sua própria diversão. Os bailaricos eram quase os únicos eventos numa sociedade de aldeia, e eram por isso muito importantes, e ali nos bailes se conheciam rapazes que vinham das terras próximas.
A maioria deslocava-se sempre de bicicleta, o seu único meio de transporte, alguns já de motas, os que já estariam numa classe média, e ainda outros, bem poucos, já se deslocavam de carro, mas estes eram só os filhos de grandes famílias, considerados classe alta, que alguns até já andavam a estudar noutros graus.
A sala do baile era muito versátil, não havia sala fixa, servia uma adega, um celeiro, uma sala grande de casa de família, ou, até... imaginem... umas instalações da Escola Pratica de Cavalaria, em Mata 4, na Atalaia, Almoster. Mas é verdade! Nunca decerto a hierarquia máxima da Escola Prática teria disso conhecimento, mas a verdade é que Dalila, as suas amigas e os rapazes, dançaram ali num bailarico.
Alguém emprestou a sala a dois sócios que a pediram para o baile, o Augusto e o Carlos, eles já eram mais para a idade dos pais que das filhas, mas a condição para eles fazerem os bailes era essa, as meninas, cada uma por sua vez, tinham de dançar uma música com eles, senão, não haveria baile.
Algumas, mais sabidonas, enrolavam e nunca chegavam a dançar, mas as mais compreensivas pensavam, ‘uma música passava depressa’, depois tinham o resto da noite para dançarem com outros pares.
As mães estavam sempre presentes nos bailes, com as filhas, a primeira fila de cadeiras era toda dedicada às mães. Depois, as filas restantes eram para as filhas, ali bem na frente das mães, bem com o olho em cima. As raparigas e mães não pagavam entrada, só os rapazes pagavam, e os homens mais velhos, normalmente, davam o que podiam para ajudar.
Depois havia umas danças muito próprias para rentabilização do recinto, como por exemplo a ‘moda à Inglesa’, onde eram as raparigas que iam convidar os homens, e por vezes umas corriam a convidar os que pretendiam para uma aproximação de namoro. Outras ainda iam convidar alguém mais importante, até homens casados, para que se sentissem lisonjeados e pudessem fazer uma melhor contribuição para o baile.
Havia também a ‘moda da rosa’ que consistia no leilão de uma rosa na mão da menina ‘X’ – ‘quanto vale?’ Muitas vezes era picada por fora, e o seu par, se queria continuar a dançar com a ‘X’ tinha de cobrir o lance, ou poderia ficar mal visto diante da dama.
E ainda existia a ‘moda da vassoura’, essa era de paródia, começava uma vassoura a passar de par em par, no desenvolver da música, e de repente o músico parava, o par que estivesse com a vassoura saía, e assim seria até ao final dos pares. O par final ganhava um sumo para cada um.
*
Depois mais adiante no ano, chegavam os bailes do Carnaval, que era de dançar até se cair de cansaço. Começavam também por esta época os bailes ao Sábado - dava mais jeito para quem tinha de trabalhar ao Domingo.
O Carnaval ia de Sábado até Quarta-feira de tarde, com sessões em que se saía a cantar ainda, numa rusga do solidó, acompanhada sempre rua abaixo e rua acima com o acordeonista e os rapazes que se queriam juntar, até à noite de Quarta-feira de cinzas, quando se enterrava o Carnaval.
Era sempre um frenesim, antes, com o cuidado de arranjar um traje para cada dia, que depois iam trocando entre amigas para andarem sempre diferentes. Depois era sempre pelo Carnaval que as raparigas da província, nos anos sessenta, se atreviam a vestir calças.
Se não tinham calças femininas pediam emprestadas as dos homens - desde que estivessem bem tudo servia – e assim também se atreviam a andar de bicicleta, que pediam emprestada, isto na parte da manhã, nas cegadas, em que percorriam a aldeia.
Na passagem dessas cegadas era o aproveitar para pregar partidas - que se acautelassem! - as portas eram bem fechadas e nada de descuidos, porque senão ficava a panela sem galinha, o penico serviria de jarra, e tudo o que a imaginação ditasse na hora, acontecia.

CARNAVAL
Carnaval, são só três dias
Hoje, amanhã e depois
Pouco tempo a divertir
E muito em aflições.
Mostrar como era, eu queria
Carnaval, óh mocidade
Onde eu dizia, a brincar
Coisas que eram verdade.
Começava no S. Vicente
Cantar de alegria infinda
Havia macholhos, cegadas
Até Quarta-feira de cinzas.
Partidas que se faziam
Só tinham graça, eu acho
Lá se roubava a galinha
Metendo uma pedra no tacho.
E se uma jarra florida
Enfeitava, a mesa de jantar
Quando um penico voando
Era posto no seu lugar.
Brincadeiras sem ter fim
Pois nada parecia mal
Tudo tinha o seu desconto
Em tempo de Carnaval.

Era assim: os mascarados irreconhecíveis, os macholhos, com as suas críticas sociais, e os rapazes, sempre na linha da frente, um pé sempre pronto para avançar de corrida, logo que o tocador abrisse o fole do acordeão, que muitas vezes se abria em falsa partida.
Isto tudo enquanto as raparigas não começaram a aceitar par adiantado. Assim, bastava um sinal e, se conviesse, o par já estava aceite, ou não, poderia também levar uma tampa à distância. Mas muitas vezes já andavam com pares combinados, para mais de  cinco músicas.

O BAILE DA PINHA
Ainda existiam os bailes da pinha, eram uma euforia, ali quase todas as raparigas é que ofereciam as fitas de seda para prender e preencher a pinha, e cada fita que as moças ofereciam procuravam personalizá-la.
Escolhiam assim a fita mais bonita e mais larga, chegando mesmo a mandar bordar à máquina as fitas com um desenho escolhido a gosto, e o nome da respectiva menina.
Depois, os sócios do baile amarravam todas as fitas na pinha, escolhendo eles a menina que queriam fazer Rainha do Baile, e prendiam de tal jeito que, por mais que se puxasse na hora de abrir a pinha, a da Rainha não sairia, saíam todas as outras, mas aquela seria assim nomeada Rainha, tal como o rapaz que comprasse a fita, na hora do leilão, seria o Rei.
Teriam direito a um lindo bolo e a uma garrafa de espumante, para acompanhar e dividir entre os pares que estivessem a participar naquela dança, e esse bolo, normalmente, era oferecido pela Rainha do ano anterior.
No ano em que Dalila fez quinze anos ofereceu também a sua fita para o baile da pinha, como todas as outras moças, mas só a mãe sabia dessa situação. Quando chegou a hora de ir para o baile o pai ainda não tinha chegado a casa.
Como era costume, as primas chamaram-na para que fossem todas juntas, mas ela, a mãe aliás, estava aflita, com receio da reacção do pai, se as deixasse ir sem lhe pedirem, poderia se mau. Mas como ele não chegava e o baile era perto de casa, deixou-as ir com as primas, ficando ela em casa.
Quando ele chegou, tomou conhecimento do assunto e não gostou, ou fez mesmo de propósito para as fazer rabear, e fez a mulher ir chamar as filhas para que voltassem para casa. Elas pediram e rogaram, mas nada, a prima até foi lá falar com ele, e nada. Depois ela disse-lhe ainda ‘agora a rapariga tem lá a fita pendurada e fazes uma coisa destas’. Ai!... Aí foi a desgraça, ele não sabia, claro, e então  diz, ‘Ah!… ainda mais, uma fita!... e ninguém me diz nada! Pois agora é que ela não vai!’
Moeu, remoeu… mas a prima não desistiu e atirou-lhe: ‘olha lá, agora é que elas são novas, têm de brincar, divertirem-se, elas fartam-se de trabalhar, e estão lá todas menos elas, eu vou levá-las, deixas por mim, e voltam para casa comigo, venho cá pô-las’.
 Depois ele, lá acabou por dizer, ‘bem então hoje mandas tu, ficam à tua responsabilidade, hoje mandas tu’.  Dalila, toda ela já farta de chorar, foi lavar a cara, mas foi de olhos inchados para o baile, bom, o que importava era ir mesmo, e o resto da noite foi compensada a dançar.
Quando eram três horas apareceu o pai lá no baile, chamou a prima e diz-lhe: ‘olha lá, ainda não achas horas de ir pôr esse pessoal a casa?’
Ela respondeu que iam todas já a seguir e assim foi, mas foi uma daquelas noites, em que elas tiveram de agradecer à prima a intervenção dela, tinha tido mais força do que os pedidos e as rezas aos Santos.
*
Falta referir que já aí vinha dentro de semanas a véspera da Páscoa, que também era dia para baile, e se por algum motivo não houvesse baile na Atalaia, as raparigas iriam decerto - as que os pais deixassem - a alguma terra vizinha, mas sempre acompanhadas pelas mães.

FIM DO 27º CAPITULO




26º CAPITULO


A NOITE DE NATAL
Chegou finalmente a véspera do Natal. Esse era o dia dos preparativos para a grande noite e, por conseguinte, para o grande dia, limpezas, e a compra de uns quilos de farinha para fazer os coscorões. O azeite para os fritar já havia, teria sido apanhada a azeitona e trocada no lagar pelo azeite, não só para fazer os fritos das festas natalícias mas, também, para gastar no dia-a-dia na confecção da alimentação.
A primeira coisa a fazer para a época natalícia, eram as broas, faziam-nas sempre uma semana antes, cada mãe de família tinha as suas receitas, muitas vezes ciosas delas, e não gostavam de as divulgar, gostavam que fossem as únicas, ter a sua especialidade.
Comprava-se mais um quilo de açúcar e canela para polvilhar os fritos, e também para mais algum mimo, matava-se um bico de criação, que seria um galo ou galinha grande, da capoeira, criada apenas com os restos de alimentos de casa ou legumes da horta.
A véspera de Natal era muito importante e tradicional dentro das possibilidades de cada família e, a de Dalila, sendo pobre, seguia a tradição, comendo as couves portuguesas ou de sete semanas, como lhe chamavam na aldeia, criadas e cortadas na horta, com batatas e o respectivo bacalhau, que nessa época ainda fazia parte da alimentação dos pobres.
A ceia era cozida e comida logo à hora habitual como nos outros dias, a seguir ia tratar-se de amassar os fritos, eram amassados no mínimo três quilos de farinha dentro de um alguidar de barro vidrado, despejada a farinha no alguidar, e procedia-se à colocação dos ingredientes de tempero para que ficassem gostosos.
Dalila já tinha aprendido com a mãe a temperá-los, começava por pôr meia mão de sal, que na aldeia se dizia ‘meia macheia de sal’, o mesmo que se colocava para meio alqueire de pão, alguns ovos de acordo com os que havia para gastar, sumo de laranja, um pouco de fermento em pó, um pouco de vinho branco, e um pouco de aguardente, raspa de casca e sumo de laranja.
Envolviam-se todos os ingredientes, começando por amassar, juntando pouco a pouco a água fervida com limão, continuando a amassar bastante, até que a massa se torne macia e feita numa grande bola. Trabalhava-se a massa até que ao cortar com uma faca ela ficasse bem arrendada no corte, deixando descansar de seguida um pouco.
Entretanto preparava-se a fogueira na chaminé com lenha previamente organizada, cortada e rachada em cavacas, para arder em lume certo.
O azeite ficava em cima da fornalha ou trempe, até à fervura, dentro de um tacho ou caçarola largos e suficientemente fundos para fritar e voltar os coscorões, que já estavam estendidos, recortilhados e, ao serem colocados, poderem ir ao fundo e subir em fritura, empolados, e fáceis de se voltarem.
Lavado o mesmo alguidar onde tinham amassado os coscorões iam-se colocando os mesmos depois de fritos, em camadas, e eram polvilhados com açúcar e canela.
Todas estas tarefas eram divididas entre a família, cada uma fazia a sua parte para que tudo corresse bem, até ao final da noite da consoada. Acabado o trabalho era hora de provar e sentir o prazer, de comer os coscorões acompanhados por uma boa caneca de café de mistura ou um cacau quentinho.
Ao lado da fogueira e da trempe já alguém teria posto uma grande cafeteira de barro, ou esmalte, a cafeteira do café, para ir aquecendo a água até à fervura, juntavam-se umas colheres de café de mistura na hora certa, mexia-se, e tinha-se uma caneca com água fria à mão, que se deitava assim que o café subia e se preparava para entornar com a fervura. Afastava-se depois do lume para assentar, e era um regalo, este café da cafeteira na casa de Julieta para acompanhar os primeiros coscorões na noite de Natal.
Tudo acabava por ali cerca da meia-noite. Depois de se arrumar a cozinha, as crianças já tinham ido para a cama, deixando o sapatinho na chaminé, e um ratinho de chocolate saltava lá para dentro.
Como Dalila já ‘trabalhava para o ratinho’, e já não punha o sapatinho, era ela que se encarregava de colocar as prendas nos sapatinhos das manas pequenas, já podia até acrescentar a sua oferta, já tinha o seu dinheirito, mesmo que pouco.

O DIA DE NATAL
O resto da noite era bem dormida. De manhã ao levantar, voltavam ao mesmo cenário: atear o lume novamente, espreitava-se como iria estar o tempo do dia 25 de Dezembro, mais café e coscorões - era dia de Natal – e havia a missa às 11h30, no Mosteiro de Santa Maria de Almoster. Tinham de ir a pé, ficava ainda a três quilómetros, e o pai bem lhes dizia até: ‘digam qual é o santo da vossa da vossa devoção que eu compro cá para casa’ - isto só para elas não irem à missa a Almoster. 
A noite tinha sido muito gelada, estava tudo branquinho de tanta geada, a avó Joaquina dizia que ‘não se via um palmo na frente do nariz’ com tanto nevoeiro, um verdadeiro cenário natalício.
Mas o pior é que não havia casacos… estavam congelados. Reparem e pensem bem… casacos congelados para vestir e ir à missa no dia de Natal… Mas lá estavam eles, pendurados no arame, mesmo debaixo do telheiro, não havia nada a fazer.
E a alegria era a mesma, a festa faziam as irmãs mais pequenas, divertidas, não tinham missa era verdade, mas tinham os casacos congelados, inteiriçados, esticados nos arames e, sempre que passavam por eles, naquele dia, davam-lhes uma pancada, para sentir como estavam duros, tanto que pareciam um pau, os seus casaquinhos do dia de Natal.
Chegada a hora do almoço, este poderia ser ‘roupa velha’, uma mistura dos restos, legumes cozidos e bacalhau às lascas, da véspera, ou até grão cozido com bacalhau, não havia propriamente uma tradição no almoço de uma família pobre. Já para o jantar teriam sempre uma galinha para matar e fazer uma canja de galinha caseira, que era muito bom, a galinha corada depois e, como sobremesa, poderia ser um arroz doce e os fritos.
No largo da aldeia, ou mais junto das tabernas, havia sempre um cepo do Natal a arder, antes já os homens haviam deitado o olho a algum bom madeiro que pudessem ir buscar para a acender na noite de Natal, a maioria das vezes era até roubado, mas isso também dava pica ao pessoal, pelo menos aos mais jovens.
Iam mais tarde com um macho e uma carroça - que era o transporte mais fácil de arranjar – ou depois com algum tractor, mais um grupo de homens para conseguir carregá-lo, e descarregavam-no no sítio escolhido e era então ateado o fogo, para o aquecimento dos homens que estavam por ali.
Esse cepo era sempre suficientemente grande para ficar a arder desde a noite de Natal até à noite de Ano Novo - passada essa quadra já se deixava apagar, o importante era o calor da época natalícia.
O Natal era mesmo a festa da família, ninguém fazia mais nada de diversão. Se havia uma pessoa vizinha ou amiga que não fizesse fritos de Natal, era por algum condicionalismo, que até poderia ser a morte de algum familiar. Já não faziam então nada para festejar o Natal. Mas mesmo a essa pessoa ou família não lhe faltaria nada, todas as vizinhas se lembrariam de lhe ir levar um pratinho do que tivessem feito na sua casa, sendo um dos bons costumes de solidariedade, numa pequena aldeia.

CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO

quinta-feira, 21 de abril de 2011

25 ABRIL!!! ZECA AFONSO!!! HOMEM INTEIRA!!!


HOMEM INTEIRO

Pela palavra de mudança
Por querer, ir mais além
Cantou, encantou, com seus ideais
Traz outro amigo também

A Grândola Vila Morena
Saiu, como uma bandeira
E gritou, pela igualdade
Eu, sou como uma toupeira

Foi alerta, sem canseira
Em chupam até ao tutano
E lutou, de mano a mano
Com sua terra de bravos

Se em canto livre foi rei
Num Entrudo chocalheiro
Com índios da meia praia
Foi” Zeca Afonso” por inteiro.

LÍDIA FRADE

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MINHA PÁSCOA


MINHA PÁSC OA

Minha Pascoa é um doce, de afectos,
Que me engrandece o colesterol, de avó,
Com imensidão de mimos, de e pelos netos,
Com que rejubilo, e onde nunca estarei só.
Meus doces são, muitos mais na vida
Do que coloridas amêndoas ou chocolate,
É abraço longo, de emoção incontida
Ou do calor de um beijo, ardente em Marte.
Minha Páscoa é paz, é feliz compreensão e amor
São sonhos de vida, e vida com muitos sonhos
É trabalho realizado, num caminhar sem favor
A Páscoa é acordar cada manhã, de brilho nos olhos.
DE LÍDIA FRADE

sexta-feira, 15 de abril de 2011

VOLTAR!!!!!!!!!!



VOLTAR

Ao silêncio dos silêncios
Compacto duro pesado.
Onde se sente
O peso que não existe,
Quando o silencio é protegido
Pelo cimento armado
Dentro de paredes duplas
E de vidro redobrado.

VOLTAR

Mas, onde o conforto bloqueia
O canto das rãs no charco
Os pássaros a chilrear
Os poéticos sons
Da natureza no ar.

Mas, como é bom voltar!
A desfrutar, a sentir
Um pleno raiar de um Verão
Sentada ali, pelo chão.
Ou num portal esperar,
Que o sol se vá,
No seu lindo mergulhar.

LÍDIA FRADE

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A TIA JULIA... E A PREPARAÇÃO DO NATAL!!!

25º CAPITULO





A TIA JÚLIA
Julieta tinha uma tia a viver em Lisboa, era a tia Júlia, irmã do avô Zé. Todos pensavam que era a tia rica da família, e que no extremo contrário estava ela, Julieta e a sua família sendo as mais pobres.
Quando, em algumas situações difíceis de resolver, era a essa tia que recorriam, pedindo alguma coisa, para superar assim as sua aflições, pelo menos fora assim em tempos já passados.
Mas naquele ano não era esse o caso, elas tinham uma casa pequena e pobre mas, tinham também um grande pomar de laranjeiras e tangerineiras, e Julieta lembrou-se de mandar uma alcofa de hortaliças, laranjas e tangerinas à tia Júlia, porque tinham fartura.
Ao lembrar-se desse agrado, fazia também lembrar que continuava ali e com cinco filhas para criar, escreveu a carta de Natal desejando Boas Festas e dizendo para irem levantar a alcofa à garagem do Claras.
Como a tia Júlia era uma senhora viúva - havia largos anos que vivia sozinha, o seu filho vivia longe dela - ao agradecer a lembrança lembrou-se disso também, das coisas que seriam demais para ela, não deixando de mandar na carta trezentos escudos para Julieta comprar roupas para as miúdas.
E com certeza, também, encontrou com quem dividir as frutas e hortaliças, com alguém que comesse mais do que ela, e assim continuava a fazer outra boa acção, pelo seu lado, com espírito de Natal.
Com os trezentos escudos, Dalila e a mãe foram a Santarém comprarem tecidos e lãs de várias cores, com aquele dinheiro já compravam muita coisa. Elas, quando trabalhavam, só ganhavam dezoito escudos por dia, chegava para comer mas, para comprar roupas, já era mais difícil.

PREPARAÇÃO DO NATAL
Dalila ia fazer em Janeiro catorze anos, já tinha andado uns meses a aprender costura, para além do que já tinha aprendido com a avó Joaquina que havia sido costureira na aldeia.
Mas a avó naquela altura já só fazia alguma coisa para a casa, como as rendas para todos os lençóis, mesmo com carrinhos de linhas da costura, porque era da mais barata e era uma maneira de estar entretida.
Julieta também sabia de costura, e todas sabiam tricotar para fazerem os casacos e camisolas novas, assim como as saias e vestidos, estes, com os tecidos comprados, e estavam pois todas felizes por irem fazer roupas novas.
Os casacos foram escolhidos, os modelos, muito simples, eram tricotados à mão com dois fios de lã de duas cores diferentes, mas trabalhadas juntas, e faziam assim um efeito de trabalho mesclado muito engraçado. Os vestidos ou saias para as irmãs mais pequenas eram rodados, com franzidos, pregas, ou machos.
Mas para Dalila, como já se considerava uma grande mulher, e já tinha os seus pretendentes a namorados, já ia ao baile e já tinha pares para dançar toda a noite, resolveu fazer uma saia justa, de fazenda rosa-velho, e fez ainda uma camisola em amarelo-torrado, toda tricotada por ela, para vestir com essa saia.
Tinham de trabalhar rapidamente, ‘o Natal estava à porta’, como se costumava dizer na aldeia, o que significava faltarem poucos dias, o tempo estava péssimo, muito frio, muito nevoeiro cerrado, mas era o tempo de apanhar a azeitona, e não se podia deixar ela estragar-se, assim fosse qual fosse o tempo o trabalho continuava, só se chovesse a potes é que iam para casa, já todas molhadas, como os pintainhos desabrigados.
Por isso, o tempo para as costuras ou malhas era reduzido, e muitas vezes só feito de noite ao serão e, como não havia televisão nem mais nada com que se entretivessem, faziam malhas, rendas e bordados, ao som da rádio, com os folhetins da Emissora Nacional.
Todas as pessoas faziam um pouco de serão à lareira ou braseira, para não irem muito cedo dormir, e a noite não parecer, assim, tão grande. De noite se faziam então as costuras, malhas, e até os enxovais completos.
Era por isso que, em vésperas do Natal, os casacos e camisolas que tinham sido tricotados nesse ambiente de fumo, no fim de feitos tinham de ser lavados. Assim se fez: ninguém podia ir estrear um casaco novo em dia de Natal, a cheirar a fumo, ou amarelo do mesmo, para ir à missa.
Como não havia máquinas de lavar e secar roupa, também não tinham alternativa, secar em casa era o mesmo que não ter lavado, e então tinha de se pendurar a roupa para secar pelos arames de estender que ficavam na rua. Ainda que se pendurassem debaixo de um alpendre, que os havia na saída da porta da cozinha, com aquela situação atmosférica era o mesmo que na rua.
Não se sabe quantos graus de temperatura estariam, nem era de certeza preocupação saber. Em suma, dois dias antes do dia de Natal as malhas foram lavadas e estendidas, passaram as primeiras vinte e quatro horas, e continuavam, precisamente na mesma, encharcados, ou talvez pior.

continua no proximo capitulo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FLORES...ARBUSTOS... E CULTURAS.... NO MEU JARDIM E QUINTAL... EM ATALAIA

DESTAS NÃO ME LEMBRO O NOME....EREI COLOCAR MAIS TARDE!!!

AS MINHAS VIDEIRAS QUE.... JÁ SE VÊ OS CACHOS DE UVAS....AINDA POR FLORESCER!!!

DESTES EXISTEM VÁRIOS NO MEU JARDIM...
ESTE ARBUSTO É.... SELVAGEM.... NASCEU AQUI ONDE ESTÁ A CRESCER... IREI FAZER DELE UM LINDO ARBUSTO DE JARDIM!!!

AS MINHAS ERVILHAS EM CRESCIMENTO
AS MINHAS FAVAS EM FLOR

ESTAS TAMBÉM FAZEM PARTE DAS MINHAS AQUISIÇÕES MAIS RECENTES!!!
AQUI O MEU PRIMEIRO BOTÃO DE ROSAS BRANCAS
ESTA FAZ PARTE DAS MINHAS PLANTAÇÕES DESTE ANO.... LINDISSIMAS!!!
A MINHA AVENCA... QUE NO MOMENTO ESTÁ LINDA


AS FLORES DO MEU JARDIM... ESTÃO A SER ATACADAS POR UM INSETO QUE AS RÓI!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PÃO DE MILHO COM AZEITE



FOTOS LÍDIA FRADE


O PÃO DE MILHO COM AZEITE
Fui na terça-feira, dia da minha folga, até às Tasquinhas de Rio Maior, já andava com desejos de comer alguma coisa diferente, da alimentação regular do dia-a-dia.
Começamos por pedir uma dose de ensopada de enguias, para comer-mos a dois, era isso que me apetecia comer, gosto muito de enguias e já avia alguns anos que não ia onde as pode-se comer, depois um segunda prato de ensopado de borrego.
Como entradas serviram-nos um queijo de ovelha muitíssimo bom, mas era Alentejano, lamentei que numa representação gastronómica Ribatejana, não estivessem queijos do Ribatejo que sei que existem bons a poucos kmetros de Rio Maior. Um cesto de pão, com três qualidades do dito, muito bem confecionado, pão caseiro, e cozido pelas senhoras da terra, nos fornos caseiros de lenha, uma maravilha.
Esses três tipos de pão eram: Pão caseiro de farinha de trigo, outro misto de farinha de trigo e milho, que também identifiquei por conhecer muito bem, cheguei a ajudar a minha mãe a fazer, a amassar, e cozer esse tipo de pão, quando era nova, que estava igualmente belíssimo, mas o ultimo sim, foi esse que me prendeu mais a atenção, e que não esperando encontra-lo ali, já tinha umas saudades imensas de o comer, estava uma maravilha, digo-vos que foi só do que comi com a refeição, e vou descrever este com todas as minhas lembranças de menina.
Escarapiadas, estavam ali no cesto do pão, cortados em pedacinhos, e tinham o mesmo gosto das que a minha avó, e também a minha mãe que, por vezes faziam. Quando elas coziam alguns pães de milho, faziam três versões dessa mesma massa do pão de milho, no fim de tender o pão, o que ao contrário do outro pão, dado a textura da massa, era tendido dentro de uma tigela de tender própria, com alguma farinha para ajudar a criar a forma de pão.
Depois retiravam um pedaço da massa que ficou, juntavam azeite e colocavam um pedacito, numa folha de couve, metiam no forno e assim cozia, quando saia, ainda um pouco quentinho era maravilhoso de comer, mais ainda, quando se retirava a folha da couve que lhe tinha servido de forma, ficava o pãozinho com todos os veios e nervuras definidos no lar, ou seja no lado de baixo do pão, era por isso que eu sempre pedia a minha mãe, para fazer com folhas de lombardas, por ser mais enrugadinha, dava uma forma mais bonita.
Tinham ainda outra versão, a mesma massa do azeite colocavam um pouco de erva-doce, ia a cozer também nas folhas, em forma de broas, era já um miminho com mais requinte para a pequenada, não tínhamos manteiga para pôr no pão, mas não fazia falta nenhuma.
Agora ainda vos conto que, estando eu a explicar como se fazia aquele pão, o rapaz que nos servia escutou, e ficou contente dizendo que eu tinha os conhecimentos, o que resultou em pedir-lhe para me arranjar dois pãezinhos para trazer para casa, acontece que arranjou mesmo.
As enguias estavam maravilhosas, com um molho aveludado e bem temperado, que dava gosto, e para mim que já estava a desejo, preencheu completamente as expectativas, veio uma dose de ensopado, para comer-mos a dois, era isso que me apetecia comer, gosto de enguias e já avia alguns anos que não ia onde as pode-se comer, depois um segunda prato de ensopado de borrego que, talvez porque já estávamos saciados com as enguias, já não nos fazia falta nenhuma, estava bom, mas se lá voltasse iria de novo para as enguias.
FOTOS E TEXTO DE LÍDIA FRADE

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O FORNO DE CAL, DO PADRINHO AMADEU


ESTAS FOTOS, O QUE RESTA DO FORNO DE CAL, DO PADRINHO AMADEU
O FORNO DE CAL, DO PADRINHO AMADEU
Tinha eu apenas sete anos, e já vinha para a escola de Atalaia, e tinha de caminhar três km, desde a Ponte do Celeiro, onde ainda não havia escola, e que viria abrir uma provisória, só no ano seguinte, quando eu já estava na segunda classe.
Até aí, todas as crianças em idade escolar, eram distribuídas por três escolas, a das Fontainhas, onde andava a Ermelinda e a Olívia, e creio até que a Florinda da Quinta do Cordeiro, a da Povoa da Isenta, onde andava a Isabel, e todos as outras crianças, tal como eu e minhas primas, e ainda as do Cabeço de Almodolim, vinham todos para Atalaia.
Certo era que, esse caminho dos três km, não nos custava muito a percorrer, vínhamos andando e brincando, saiamos cerca de uma hora antes para fazermos esse caminho, sem relógios, sem telemóveis, sem nada que indicasse aos nossos familiares, de que tudo estava bem, e era assim que desde as oito da manhã, até pelo menos às quatro da tarde, ninguém sabia de nós nem como estávamos. Este relato serve apenas para fazer comparações, com os dias de hoje, e ainda para vos contar e mostrar, um pouco da história deste forno de cal, do qual vos mostro aqui os seus restos, fotografados á poucos dias atrás.
Fica na beira da estrada, por onde eu passava todos os dias, e lembro me do seu funcionamento, do fumo a sair de suas entranhas, um dia perguntei a minha mãe, como é que tudo aquilo funcionava, até a cal ficar em pedra branquinha, que depois o dono do forno ia vender numa carroça, de terra em terra, minha mãe explicou.
O dono do forno, ia buscar uma camioneta velha carregada de lenha, que ia queimar dentro forno para o seu aquecimento, não sei dizer bem quais eram os passos a seguir, mas sei que as pedras, vindas das pedreiras, existentes ali por toda aquela charneca, e colocadas na medida certa, numa câmara onde apanhavam todo o calor, também ele com conta e medida, para sair as pedras branquinhas, mas inteiras, depois do tempo adequado para a sua cozedura.
O padrinho Amadeu, como era conhecido na casa do meu pai, pois era mesmo seu padrinho, era o dono do forno, e a pessoa que o fazia funcionar, e vender depois o produto ali transformado. Depois, era a cal caldada com água, colocadas umas pedras dentro de um grande caldeirão, fervia e se desfazia num polme grosso, sempre bem mexida com um grande pau, para ficar bem afastada, e não saltar algum pingo com a sua fervura para quem estivesse a caldar.
Era com esta cal, que se caiava todas as casas das aldeias, deixando tudo bem branquinho, de ar limpinho, pois não havia tintas.
TEXTO DE LÍDIA FRADE

MOINHO DE VENTO NUM POÇO DE ÁGUA EM ATALAIA

A IMAGEM FICOU, A SUA UTILIDADE DUVIDO!!!


FOTOS EM UMA MANHÃ DE INSTABILIDADE METEOROLÓGICA

quarta-feira, 30 de março de 2011

DALILA E O PRIMEIRO TRABALHO NO CAMPO


24º capitulo
DALILA E O PRIMEIRO TRABALHO NO CAMPO


As mulheres adultas ganhavam dezoito escudos por dia, Dalila e outra jovem, que eram só elas as mais novas, ganhavam quinze escudos, mas já era muito bom e Dalila sentia-se uma mulher a ajudar a mãe na recuperação familiar.

O trabalho ficava a cerca de dez quilómetros da Atalaia, era o caminho que todas tinham de fazer de ida e volta a pé, com o farnel dentro de uma alcofa na cabeça, pela estrada principal até a Ponte do Celeiro, e pela beira da vala de Almoster até à Ponte da Asseca.
Com bom ou mau tempo, e todos os dias, para Dalila, que era rapariga nova, nada custava, e até era muito divertido ouvir as conversas das mulheres mais velhas todo o dia. Algumas até contavam anedotas picantes, isto quando não falavam mal das outras, que estavam ausentes.

Quando as duas conseguiram ganhar o suficiente para tal, Julieta arranjou uma camioneta para irem buscar a mobília a Santarém e assim passarem definitivamente a morar na nova casa, a da avó Gertrudes.
A família, os cunhados, os primos, apoiaram Julieta, e até se deram ao trabalho de falar com Deodato, dando-lhe bons recados, mas ele levou tempo a convencer-se de que a família já não alinhava nas suas loucuras.
Sentindo-se apoiada pela família de Deodato, e com a filha ao lado, a trabalhar, a ganhar, já podia contrariá-lo, elas é que ganhavam para comer, e a avó Joaquina tomava conta das mais novas, estava tudo a dar certo.

Julieta, logo que resolveram as primeiras prioridades, começou a dar o salário de um dia por semana a Dalila, para ela ficar assim motivada e começar a comprar o seu enxoval.
Foi deste modo que começou a comprar algumas peças de roupa de casa, para enxoval, ou roupa para vestir, e andar arranjadinha como as outras. Comprava pois ao Senhor Madeira, que pagava com o que recebia desse tal dia de salário por semana.

Mas certo dia de feira em Santarém, Deodato resolveu ficar por lá, vindo do trabalho em Lisboa. Ele tinha uma amante já de há muitos anos, que andava aí nas feiras. Telefonou então à noite para o posto público, para dizer a Julieta que lhe fosse levar a dita máquina de pipocas a Santarém para pôr a engenhoca a trabalhar na feira.
O recado foi entregue mas Julieta fez-lhe frente, e mesmo sabendo que poderia ser grave para ela, contrariá-lo, foi isso que fez, ficou em casa e não foi ao seu encontro, era tempo de ele ver que acabava ali, para ela e para a família, os devaneios dele.

A espera não foi longa. Como ela não lhe apareceu em Santarém, veio ele à Atalaia. Chegado a casa pergunta às filhas pela mãe, mas ela esperava-o em casa, sabia já que ele viria.
Mal entrou em casa foi perguntar porque não tinha feito o que ele mandou, mas Julieta respondeu-lhe o que devia, nem ela nem as filhas voltariam a pôr os pés nas feiras como ele queria, agora, já tinha a filha ao lado dela, já nada lhe metia medo.

Coitada! Saiu-lhe cara essa decisão, tal como ela já esperava: ele puxou pela mangueira de ligar o gás na panela das pipocas, deu-lhe umas mangueiradas valentes que a deixaram de cara e olhos toda inchada e roxa, e foi-se embora com as coisas que queria para colocar a máquina das pipocas na feira.

Quando chegou a Segunda-feira Julieta tinha de ir trabalhar, e lá foi, mesmo de cara negra e inchada, com algumas colegas a perguntarem o que tinha sido, mas mesmo sem grande resposta ou confirmação se podia adivinhar, a mangueira estava marcada.
Foi difícil mas, Deodato, com o resto da família a fazer-lhe entender, que já tinha uma filha que era uma mulher, e com as outras a crescer, ele tinha era de ganhar juízo e manter o respeito em casa, senão daqui a pouco ninguém o respeitaria.
Foi assim que ele parou para pensar e, de facto, modificou também a sua maneira de estar na vida, e veio olhar pela família, sempre um pouco à sua maneira, é certo, mas tudo começou a mudar na vida familiar.
*
Agora era Inverno, Dezembro, o Natal estava a chegar, e estavam a ser de grande profusão as geadas, se não chovia geava, se não geava chovia, mas a vida continuava.
Dalila continuava a trabalhar no campo, o seu primeiro trabalho tinha sido na apanha do tomate, depois seguiram-se as vindimas, e estavam presentemente no tempo da azeitona.

Todos os dias saíam de casa para trabalhar a grandes distancias, para chegarem ao trabalho, não havia transportes de carro, andavam a pé, até à quinta dos Faias, a caminho da Ponte de Asseca.
Podia acontecer que, chegavam ao trabalho, mas ‘o tempo não abria’, na linguagem da terra, ou seja, não parava de chover. Esperavam até ao almoço, por vezes comiam o almoço que tinham levado de casa, e sem o tempo deixar trabalhar.

Os mais velhos diziam que ‘ao meio-dia ou carrega ou alivia’, e se carregava vinham embora para casa, de novo a pé, debaixo de água, ou se aliviava, lá conseguiam fazer umas horas de trabalho, para as sopas.
Na época de azeitona, Dalila e Julieta quando não podiam trabalhar, devido ao tempo, ficavam em casa, à chaminé, ardiam todo o dia alguns troncos de árvores, era preciso, obviamente, apanhar e trazer lenha para casa, para a manter aquecida.
Improvisavam uma braseira com uma lata velha, retiravam da lareira algumas brasas, e era assim possível aquecerem-se todas em casa, as mais pequenas sentadas em cima da base da chaminé, junto do lume.

Neste ambiente, além do calor circulava muitíssimo fumo, que se ia elevando e facilmente saindo pelas telhas, mas deixando atrás o seu cheiro característico e, o pior, ia ficando tudo com um tom amarelado por onde a fumarada passava.
Mas era o único aquecimento que existia na época, era a lareira ou a cama, e todos viviam bem com isso, na província não conheciam mais nada, e com o que tinham eram felizes.

CONTINUA NO PROXIMO CAPITULO

sexta-feira, 25 de março de 2011

QUE FUTURO


QUE FUTURO





O PEC, foi barro atirado á parede


Num vai ou racha… de desespero sentido,


De um folgo… numa luta decadente


Sem solução… apenas um não garantido




País em fundo… envergonhado, contido


Mais eleições… mais gastar, do que não À


Mais discursos… e lavar de roupa… incontido


Guerra de galos… por poleiro, agora e JÁ




Um novo rumo…neste País, toda a incerteza terá


Tudo adiado, nada feito, e, tudo comprometido!


Por uma guerra de excessos, o futuro qual será?




Quem nos garante, as expectativas e direitos?


Teremos nós! De procurar nosso sentido


Seremos nós! A proclamar nossos conceitos!




LÍDIA FRADE